terça-feira, 27 de junho de 2017

Direita sem Messias: monarquia, desperdício de esperança

Toda nossa aversão a tudo que se refere à política é basicamente uma natural rejeição à monarquia porque a monarquia é fruto da perversão e segue o roteiro do vidraceiro que apedreja as vidraças para continuar vendendo vidros.
O nauseante jogo entre governo e oposição não passa disso: pedras e vidraças !
Mas há um mar azul antes da sua xícara de café e neste mar está cheio de piratas !
Sorva um gole do quente e perfumado néctar e me acompanhe.
O rei surgiu como alguém que desafiou o perigo para proteger seus amigos da violência imposta pelos inimigos.
Este ambiente em que todos eram inimigos chamamos de barbárie.
Considerando uma simples relação de causa e efeito podemos presumir que sem inimigos não há barbárie, portanto, por ato contínuo, sem inimigos sem necessidade de rei e de sua espada redentora e da justiça.
Mas nem só de brutalidade vivem os piratas, pois a astúcia poupa o precioso sangue.
Desde que o primeiro pirata vestiu a roupa de rei todo rei nu é um pirata !
Desde então, a túnica precisou esconder a perna-de-pau e as pedras das coroas disfarçar o brilho do olho de vidro.
Pirataria é pirataria e bem decorado qualquer espantalho figura como rei.
Gato por lebre é um truque que ofende apenas o tolo que pagou mais caro por um pedaço de carne.
Neste ambiente confuso, em que o “inimigo” habita e rege a fortaleza, prospera a mais repugnante perversão da monarquia: o regicídio.
Sim, pois, o regicida bem sucedido inspirará outros regicidas com a sua receita de sucesso.
Se fosse para atribuir um sinônimo que levasse em consideração a causa e efeito para monarquia o termo mais adequado seria regicídio.
Monarquia é regicídio.
O pirata, notável por sua brutalidade e astúcia, também racionaliza e, como é de se esperar, racionaliza brutal e astutamente.
Ao racionalizar proclama justiça pois o rei, em essência, é também um assassino.
Remédio para o regicídio ?
Não existir rei é uma grande oportunidade, mas, para isso, extingue-se também a monarquia.
O menor interessado em acabar com a monarquia é o herdeiro do trono e este por sua desdenha do risco de ser assassinado porque, embora, inevitável, o regicídio pode ser adiado.
Racionalizando brutal e astutamente a pilhagem adquire sofisticação e sutileza.
A paz é um produto natural do cansaço e quanto mais velho é a pessoa menos interessante é guerrear.
Um rei para manter sua função de protetor e prestígio para justificar o conforto de que foi acostumado a usufruir começa a produzir inimigos.
A antiga violência gratuita que gerava violência por vingança torna-se uma defesa missionária de valores perpétuos.
Denunciada esta fraude, o espantalho atinge o máximo de sua carnavalesca natureza decorativa e o custo da patifaria começa a ser questionado.
Remédio para o fim do rei patife ?
Simples, acaba-se com a monarquia, afinal, é um sistema de governo inútil que beneficia apenas os herdeiros do trono.
A ideia de República ganha espaço e é, entre represálias, ensaiada em alguns lugares.
Por garantir o rodízio de mandatários ao livrar o trono de um titular vitalício e da exdrúxula hereditariedade a República gradualmente recebe a adesão categórica dos súditos porque sem mandato vitalício e hereditariedade são retirados da Agenda caprichosa de sucessão duas grandes motivações da infâmia regicida.
Os monarquistas relutantes, que nada mais são que piratas apegados aos seus enfeites (cetro, medalhas, colares, dragonas com franjinhas, tiaras e brochinhos), tentam adiar a inevitável República e a sabotam por aculturação e inculturação.
Ao capricho dos piratas o Brasil e demais países modernos vivem a caricatura da agonizante monarquia e da débil República.
Remédio para o tedioso desfile de mediocridades ?
Confirmar com seu voto raro, de 2 em 2 anos, a República, ainda prescrita na Constituição brasileira !
Claro, que a República também é pilhada pelos piratas, no entanto, a República traz a vantagem de uma auto depuração mais rápida ao evitar a hereditariedade e o mandato vitalício.

Por uma Direita sem Messias

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