domingo, 18 de junho de 2017

Direita sem Messias: Homem homem ou Homo homo

Há homem que é homem e homo que é homo, porém falta auto conhecimento ou auto suficência para sustentar isso !
Homem é o ser mais corriqueiro e a sua constância deriva da própria alienação, isto é, cumpre o instinto de auto preservação na exata medida em que evita refletir sobre si mesmo.
Isso explica a força dos conservadores, das tradições e do elogio à rusticidade. É o ser acomodado em sua precariedade.
Esse é o ser original, alicerce de todas as demais homificações !
O que nos mostra que toda homificação ofende o homem, não por refletir ou pensar, mas porque foi-nos inoculado o vírus da ruptura com o antigo ser: pensar tornou-se praticamente uma rejeição do antigo e dessa precipitação desenvolvemos uma chaga que não conseguimos erradicar - desconfiar do pensamento.
Pensar é fácil e automático, porém a autoridade de quem pensa sempre será contestada caso não alimente as conveniências e o conforto do grupo mais forte. O que vale dizer que várias ideias serão desprezadas a priori apenas por serem identificadas com alguma origem considerada suspeita...tais ideias não serão celebradas nem seus autores serão célebres.
Homificando o homem teremos uma variedade de sucessões conceituais pretensiosas: Homo sapiens, Homo faber, Homo economicus, Homo ludens e estamos à beira do Homo homo.
Tentando ser cada uma dessas coisas o homem nunca deixou de ser o que sempre foi: caçador. Pelos simples de que desde que haja uma presa confirma-se a caçada e a caçada legitima o caçador.
O caçador reúne a inteligência do sapiens, a habilidade do faber, o planejamento do economicus e a diversão do ludens a um só tempo e instante. Imagine o deleite do desafio numa caçada...testemunhe o deleite de quem narra ou ouve sobre as peripécias de uma caçada.
Homem que é homem vive à espreita da lebre da vez e o homo que é homo fareja como o cão do caçador o próximo brinquedo para satisfazer seja lá qual for a necessidade.
Todos, se formos sinceros, nos identificamos com Bolsonaro. Impossível não haver empatia por ele porque ele representa o caçador que todos nós trazemos no íntimo e herdamos da mais remota ancestralidade.
Há os que caçarão sob o seu comando e outros que irão desafiá-lo na caçada. Estar a favor ou contra Bolsonaro é participar da caçada de alguma maneira, porém um passo além do instinto é recomendável...
Bolsonaro, embora, apareça um caçador, seria ele mesmo caçador ou a isca de um predador maior ?
Isso mesmo...seria Bolsonaro o pote de açúcar para atrair as formigas ou o queijo na ratoeira ?
A eleição é um evento burocrático, isto é, só ganha quem concorrer e só pode concorrer um dos inscritos, portanto, como bem nos recorda Aristóteles, vencerá para presidente da República um dos inscritos.
Entendendo isso, precisamos lembrar também que quem registra a candidatura dos futuros presidentes são os partidos políticos.
Mesmo com a sorte de 33 legendas disponíveis é ingenuidade do eleitor (presa neste caso) esperar que a cúpula destas legendas sejam preenchidas por pessoas mais dignas que Aécio Neves, Michel Temer, Gilberto Kassab, Paulinho da Força (deixo por amostragem 10% dos plenipotenciários chefes de partidos políticos para que o eleitor deduza a índole dos demais).
Outro fato de extrema importância (curiosamente os fatos mais importantes são os mais negligenciados): a recorrência dos impechments mostra que o Poder Legislativo é o Poder mais poderoso, o que faz, na prática, que a eleição presidencial sirva de grande distração.
De nada vale ter um presidente da República se ele for refém de senadores (cargo com mandato de 8 anos - dobro do prazo do mandato presidencial) da estatura moral de Aécio Neves e similares.
Por isso, atenção, eleitor do Bolsonaro e da direita ! Preocupe-se mais com o senador e deputados que você elegerá do que com o próximo presidente da República.
Nesta caçada Bolsonaro pode ser a isca e o Brasil ser a presa de um predador que mal conhecemos.
Proteja o Brasil, dê ao País o melhor Legislativo possível !
Por uma Direita sem Messias !

Nenhum comentário: