segunda-feira, 8 de maio de 2017

Mater Dolorosa, bem aventurados os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram

É natural que uma mãe chore a morte de um filho.
É natural que amigas chorem a morte de um amigo.
É natural que justos chorem a morte de um inocente.
É natural que as discípulas chorem a morte do Mestre.
De tão natural que pouco há para escrever sobre uma dor indescritível.
Dos 4 Evangelhos canônicos apenas João menciona nominalmente a mãe de Jesus no momento da crucificação e a solicitação do Mestre para que o evangelista (se entendermos o evangelista como o discípulo amado) a ampare depois de seu sacrifício e ascensão.
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João 19:25, 26, 27 Maria mãe de Jesus, Maria mulher de Clopas (tia de Jesus) e a Maria Madalena
Mateus 27: 55, 56 e 61 Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e de José e a mãe dos filhos de Zebedeu
Marcos 15: 40 e 47 Maria Madalena, Maria mãe de Tiago (o menor) e José e a Salomé
Lucas 23: 49 e 55, 56 mulheres que seguiam Jesus desde a Galileia
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A missão de Maria de Nazaré foi a de gerar e educar Jesus.
É pesaroso para uma mulher conceber, nutrir e educar uma criança com a morte decretada. Assim acontece com todas as mulheres que vivem em tempos de guerra: coagidas a procriar para ampliar os exércitos.
Se a guerra é notoriamente um desperdício de vidas, quem mais possui consciência disso são as mães.
Maria de Nazaré era uma mulher comum e mãe de um filho incomum.
Em João, Maria de Nazaré é a carinhosa mãe de todos os órfãos da guerra. Mãe que sofre um luto imposto pela ignomínia dos sacerdotes incapazes de reconhecer o Messias.
Segundo o Evangelho, Maria não operou milagres. Talvez, num ambiente de víboras vaidosas, ser uma pessoa comum seja o maior de todos os milagres.
A dor desperta empatia e comoção na maioria das pessoas e as representações da Mater Dolorosa nos enche de compaixão, porém o Evangelho é um instrumento para nos unir pela verdade para promovermos a liberdade e a zoé em abundância.
Compreender a dor é necessário, no entanto, é um desperdício idolatrá-la porque ela nos assola o tempo todo.
Sendo que fomos agraciados com 4 Evangelhos canônicos é prudente lê-los paralelamente e em comparação para desenvolvermos a apreciação global dos acontecimentos e a especificidade de cada um deles.
Também é inevitável denunciarmos o abuso dos sacerdotes sobre a fé dos que não possuem o hábito da leitura.



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