domingo, 7 de maio de 2017

Imaculada Conceição: omissão e controvérsias nos Evangelhos

Há Evangelhos canonizados e outros considerados apócrifos.
Entre os canonizados Marcos e João nada registram sobre a Imaculada Conceição. Eles iniciam com João Batista no Rio Jordão convidando a todos ao arrependimento e batizando.
Dos canonizados Mateus é o mais lacônico quanto ao fascinante tema da Imaculada Conceição e Lucas é o mais extenso e detalhista.
Portanto, os quadros que compõem nossos tradicionais presépios natalinos estão descritos em 2 dos 4 Evangelhos. A omissão em metade dos livros canonizados indica uma certa irrelevância do assunto, ou, ao menos, indiferença já que fatos mais importantes da vida de Jesus, seus ensinamentos, são relatados em todos os Evangelhos sem controvérsias.
Em Mateus, que além de evangelista é um dos 12 apóstolos, o econômico relato sobre a Imaculada Conceição é predominada pela hesitação de José em receber Maria como esposa depois de saber de sua milagrosa gravidez.
O anjo nos sonhos de José o acalmou ao rememorá-lo da profecia de que Emanuel, Deus Conosco, seria o filho de uma virgem. José ao desposá-la não tocou em Maria até que Jesus nascesse.
O relato sobre a visita dos Reis Magos, o massacre dos inocentes e a fuga imediata para o Egito é exclusividade do Evangelho de Mateus.
O Evangelho de Lucas além de acrescentar a gravidez da estéril Isabel e o nascimento de João Batista, descreve todo o diálogo entre o anjo Gabriel e Maria, o detalhe da manjedoura para ser sinal para a adoração dos pastores e a apresentação de Jesus como primogênito em Jerusalém com a comoção e reverência do velho Simeão e da profetisa Ana( bem-aventurados a quem fora prometido testemunhar o nascimento do Messias).
A seguir, Lucas relata que em todos os anos a Sagrada Família costumava festejar a Páscoa
em Jerusalém (controvérsia direta com a fuga para o Egito e permanência no exílio até a morte de Herodes) e o episódio de Jesus com 12 anos de idade discutindo as Escrituras com os doutores.
Apesar de as narrativas sobre a Imacula Conceição serem maravilhosas, justificarem a profecia sobre a gravidez da virgem e o testemunho de que para Deus nada é impossível elas são as partes mais frágeis do Evangelho dada às controvérsias dos evangelistas que as relatam e pelas omissões dos demais. Mateus 1 e 2; Lucas 1 e 2; João { }; Marcos { }
Uma leitura atenta aos Evangelhos permite perceber que a devoção à Maria é uma idolatria e um artifício dos sacerdotes para que os pagãos continuassem o seu culto à Ísis ou outras divindades ancestrais femininas dentro do contexto evangélico, ou seja, é um sincretismo desrespeitoso com as deusas pagãs e um disparate com a Boa Nova.
A bem-aventurança de Maria e de Isabel provém da obediência e zelo pelos mandamentos da Torá e elas nunca ostentaram a magnificência de rainhas ou exibiram poderes extraordinários.
Rainha do Ceu e atributos milagrosos são distorções da inculturação dos devotos de Ísis e propaganda da monarquia como instituição sagrada.
Aos devotos de Ísis desejo felicidade e aos discípulos de Jesus eu desejo a verdade.
Fantasia por fantasia prefiro considerar que a Imaculada Conceição seja um eufemismo para estupro. Isso não é nada absurdo considerar se lembrarmos que a região da Síria sempre sofreu os horrores da guerra.
José foi designado (talvez discretamente) para amparar uma adolescente estuprada para evitar a sua desonra social e proteger a criança do flagelo.
Raciocínio nada impossível de ocorrer para pastores de ovelhas experientes no aperfeiçaomento do plantel. O gênes de um romano selecionado pelo ofício militar com uma garota bonita (Sara, Rebeca e Ester são descritas como belíssimas) não deve ser desprezado.
Para quem ousa afirmar que há uma cultura de estupro em sociedades pacíficas não é absurdo imaginar a violência e humilhações gratuitas em áreas de conflitos e a solidariedade entre as vítimas.
Espírito Santo pode ser o nome dado à inteligência que sempre inspirou os eleitos.

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