quinta-feira, 25 de maio de 2017

A Boa Nova e a revolução aristotélica

O que há de novo na Boa Nova ?
Jesus é judeu de nascimento e grego por cultura.
Não estranhe, porque somos brasileiros de nascimento e britânicos por cultura !
A Galileia é próxima do litoral mediterrâneo e às portas dos portos de Tiro e Sidom, diante do arquipélago heleno.
Jesus viveu numa época altamente helenizada depois das conquistas de Alexandre Magno, o macedônio, e Alexandre foi pupilo de Aristóteles.
Portanto, se há algo de novo na Boa Nova que justifique sua adjetivação, podemos deduzir que seja a compreensão e disposição aristotélica do mundo.
Aristóteles pretendia que o conhecimento fosse amplamente divulgado e isso recebeu queixas do conquistador Alexandre que percebia ser o conhecimento a sua maior vantagem competitiva.
Resultado: ao divulgar o conhecimento, inevitavelmente, surgiriam talentos páreos ou capazes de superar Alexandre.
Um exemplo recente, mas já não tão recente: o Novum Organum de Francis Bacon está para o Organon de Aristóteles o que o ‘venha e veja’ de Jesus está para o ‘não há nada de novo debaixo do sol’ de Salomão e a irreverência do carpinteiro atrevido ao afirmar que Deus vestia os lírios do campo com maior esplendor do que o rei algum dia houvesse tido a oportunidade de se vestir.
A glória dos homens é fugaz e ser superado em destreza e prestígio por outros é uma lei divina irrevogável.
Os hebreus herdaram dos caldeus grandes conhecimentos matemáticos e com estes assimilaram com maior facilidade tantos outros na estadia no Egito.
A cultura hebraica (e consequente poder) é uma fusão dos dois maiores impérios do Crescente Fértil.
Após estar sujeito a várias opressões, os filhos de Abraão aprenderam a esconder conhecimentos para manter vantagens competitivas.
Ao lermos os Evangelhos é notório que grande parte da preocupação dos fariseus era manter o conhecimento das Escrituras como um privilégio para os judeus em detrimento até dos hebreus e como privilégio para os sacerdotes em detrimento até dos judeus, criando círculos concêntricos de favorecidos conforme a conveniência dos “bem-nascidos” detentores da chave do cofre ou da “Arca da Aliança”.
Jesus desastrosamente afrontava tal mesquinharia.
Talvez, o maior crime de Jesus foi o de divulgar o que os fariseus quisessem esconder: tecnologia (tekné) nas mais diversas áreas desenvolvidas pelo pensamento abstrato inspirado no Deus único e invisível.
Talvez, também foi este o crime de vários profetas que antecederam Jesus, ao ousarem afirmar que a salvação já não seria mais uma exclusividade para os judeus.
Compartilhar o conhecimento sempre abalou os pés de barro da idolatria e de su grandes sacrílegos.
Se Alexandre hesitou diante das recomendações de Aristóteles porque pretendia conquistar e conquistou o mundo pela espada, Jesus conquistou um mundo maior e por muito mais tempo ao praticar com alegria a generosidade do sábio macedônio.

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