segunda-feira, 3 de abril de 2017

No princípio era a lógica e as premissas estavam com Deus

Todos podemos ler o Evangelho, mas para quem se declara evangélico a leitura precisa ser um hábito.
O hábito da leitura nos leva a considerar que o texto foi escrito por alguém, dirigido a um público e com um objetivo.
Se o texto deixa estas características vagas cabe ao leitor se dedicar a identificá-las conforme sua habilidade e sensibilidade.
Todo texto possui laços com o tempo e o espaço em que foi produzido.
Jesus, o único Mestre, é um ponto geografica e historicamente identificado. Tão identificado que a história se divide em antes de Cristo e depois de Cristo.
Ignorar um Mestre desta envergadura é um gesto irracional e desprezá-Lo é desprezar elementos essenciais de nossa formação cultural.
O Evangelho de João abre com ‘princípio’ e ‘logos’ ! João 1
Jesus viveu 400 anos depois da efervescência filosófica da Grécia e a Ásia Menor havia sido helenizada pelos exércitos de Alexandre, pupilo de Aristóteles. Isto é, o ambiente intelectual no qual Jesus estava imerso era de um racionalismo altamente desenvolvido.
O Evangelho não influenciaria tanto se não tocasse de algum modo os sábios de seu tempo e entre eles eram notáveis os geômetras.
Quando João declara ‘princípio’ e ‘logos’ João relata uma metafísica sofisticada e os termos devem ser apreciados tecnicamente como os lógicos e geômetras apreciavam. João 1
Em lógica ou geometria princípio não significa apenas início como a tradução em português nos leva a entender. Princípio é a referência que orienta e sutenta toda a sequência de raciocínio.
Um mal princípio desmorona uma sequência de raciocínio como desmorona uma casa construída sobre a areia e um bom princípio sustenta uma sequência de raciocínio como uma casa construída na rocha é sustentada. Mateus 7
A sequência de raciocínio pode estar sustentada na percepção transitória dos acontecimentos (aparência) ou na percepção permanente dos acontecimentos (essência). Separar o joio do trigo é o cuidado de selecionarmos estes princípios. Mateus 13
Enquanto dormimos o inimigo semeia o joio no nosso campo de trigo. O inimigo se dedica a nos confundir sempre e o seu sucesso depende não apenas de sua astúcia mas também na nossa falta de cuidado.
Jesus, autodefinido como o caminho, a verdade e a vida, nos oferece uma estrada que nos disciplina a raciocinar da aparência para a essência dos acontecimentos e (o mais maravilhoso) uma estrada que nos preenche de confiança para seguirmos do abstrato para o concreto (o logos se fez carne).
O Evangelho é um instrumento de ousadia e para usufruir de seus resultados basta adotá-lo !
...a luz brilhou na escuridão e a escuridão não a recebeu, isto é, a confusão impediu que a luz fosse adotada.
Adote a luz e ela lhe mostrará a verdade. Compreende o que significa ser testemunho da verdade ? É o mesmo que dizer: não sei o que é a verdade (fenômeno evanescente), mas sei como ela pode ser percebida.
Voltando ao princípio...
Para evitar confusões é importante entender como o raciocínio caminha.
O raciocínio pode ser induzido (carregado por outras pessoas) ou deduzido (caminhar pelas próprias pernas) e até seduzido (imobilizado) para não raciocinar.
A Bíblia nos oferece vários exemplos de acontecimentos determinados pela indução, dedução e sedução.
A Lei nos instrui e se a observarmos seremos poupados de vários aborrecimentos e prolongaremos os nossos dias, mas se nos habituarmos a raciocinar usando o rancor como premissa não alcançaremos a Graça.
É possível vigiar e orar, isto é, observar e refletir sobre os acontecimentos a cada vez com mais qualidade conhecendo o comportamento do raciocínio e retirando o rancor, que escurece a estrada.
Adote o Evangelho e ele lhe abrirá as portas da percepção !

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