terça-feira, 4 de abril de 2017

A luz brilhou na confusão

O Evangelho de João abre dizendo que a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam.
Num ambiente de guerra tudo é confuso porque tudo está imerso em segredos e conspirações. De modo que existe o inimigo, mas não temos como prever seus caprichos.
A confusão, por si só, se caracteriza tenebrosa e depósito de todos os medos. A escuridão e seus perigos reais ou imagináveis !
Só de imaginar perigos muitos adoecem.
Ficamos ansiosos por um momento de paz e a procuramos por todos os meios possíveis.
Além da confusão inerente da guerra sofremos com a confusão dentro de nossas emoções e feridas, que turvam nossa capacidade de raciocínio.
Toda energia é usada para a autopreservação e proteção de quem amamos. Pouca energia nos resta para promovermos a paz.
Somos levados a esperar a redenção como uma luz gigante e exterior a nós, mas cultivando a leitura do Evangelho percebemos que a luz é mais sutil.
Considere uma lâmpada de azeite da parábola das virgens prudentes e loucas. O esposo que chega de surpresa se assemelha a inspiração e quem estiver abastecida de azeite desfrutará da luminosidade por mais tempo e tranquilidade. Mateus 25
Não controlamos a graça da inspiração mas podemos ser prudentes e manter a nossa provisão e azeite.
Mas o inimigo semeia o joio e em retaliação incendiamos o seu arraial. Guerra sem fim e confusões sobre confusões.
Uma maneira de amar o inimigo é não semear o joio (confusão) e não incendiarmos o seu arraial (gerar desespero). Precisamos, sim, prover azeite para ser usado a qualquer tempo.
Com a luz suave da lâmpada podemos seguir as pistas sutis na escuridão sem criar alarde ou falsas impressões.
No caminho podemos encontrar alguns obstáculos:
1) pessoas livres que divergem de nós e que nos levam a refletir se nos aborrecemos com a divergência a ponto de silenciá-la com algum artifício ou aceitamos a liberdade de divergir:
2) pessoas livres que concorrem conosco e que nos levam a refletir se nos aborrecemos com a concorrência a ponto de sabotá-la com algum artifício ou aceitamos a liberdade de concorrer;
3) pessoas que apenas são instrumentos de outras pessoas que procuram não ser perturbadas na sua concentração de poder.
Muitas vezes quem consideramos inimigos não passam de raposas incendiadas a correr desesperadas pela nossa lavoura. Juízes 15
Adotando a disciplina da lógica (nossa provisão de azeite) para melhor vigiar e orar sobre os acontecimentos podemos identificar como inimigo apenas quem se contradiz e deteriora a verdade ao sabor das conveniências e coloca a perder a colaboração recíproca entre as pessoas.
Pois ao determinarmos que a divergência e a concorrência são comportamentos legítimos e dignos como exercício da liberdade reduziremos as ocasiões de ofensas por mal-entendidos e nos preservaremos da ser instrumentos da conveniência de terceiros.
Abastecidos com o azeite de logos (lógica) não precisaremos de ameaças e opressões para desvendarmos os enigmas que são lançados diante de nós. Juízes 14
E quando Deus nos perguntar o que vemos poderemos responder que vemos a vara de amendoeira e a panela a ferver ! Jeremias 1

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