sábado, 25 de março de 2017

Sábado é o dia do invisível

O Livro de Gênesis relata que o Criador utilizou 6 dias para realizar a Criação e depois interrompeu, isto é, finalizou. O Pai perfeito que poderia realizar tudo num único gesto preferiu realizar etapas a cada dia e interromper e define um período para finalizar um conjunto de dias.
Isso parece um tanto caprichoso !
Curioso é que o número sete é um número invisível.
Considere que a ideia de número já é um conceito bastante avançado, pois já se trata de uma abstração e antes desta capacidade de abstrair o ser humano percebia o que era visível.
As noções de quantidade visíveis eram as partes do nosso corpo e de outros animais.
2 olhos
2 orelhas
2 braços
2 pernas
2 mãos
2 pés
Mesmo que não houvesse uma palavra ou definição para este conjunto o ser humano se relacionava pois teria que distribuir as partes das caças abatidas.
Diante dos ossos partes como braços e pernas eram subdivididos ao que chamamos facilmente hoje em dia como braço e antebraço e outros pares nas pernas como coxa e sobrecoxa.
No conjunto de números pares jamais seria vísível o número sete, mas outros números ímpares são naturalmente apresentados, impossível não notar os 5 dedos das mãos ou dos pés.
O número 3, mais discreto, ainda é apresentado nas subdivisões dos dedos: falange, falanginha e falangeta.
O número 1 é basicamente a percepção do indivíduo, mas é interessante considerar que esta seja uma percepção tardia, pois a existência do casal é mais forte. Também, no conjunto da prole, em que nascem filhos de um em um não é impossível a concepção de gêmeos e, mais raramente, trigêmeos.
O número 9 também não é um número imediato ! Observando os dedos da mão, já consciente do polegar opositor, notam-se os pares 4 e 2, e, considerando as frações dos dedos, os pares 12 e 6, e, de maneira sofisticada, os múltiplos de 12, 6, 3 e 9.
O sete é, talvez, o último número percebido e por isso sempre foi mencionado com certa cerimônia.
Impressionante é que o número se acomodou muito bem em outro fenômeno fascinante, ficou como o dia de transição entre uma fase da lua e outra. Quantos dias possuem cada fase ? Qual o momento exato da mudança entre as fases ?
O que o sábado interrompe ? O número sete finaliza, portanto, mais que invisível ele é perfeito porque caracteriza algo completo.
O invisísel, tão bem representado no pensamento abstrato, é maravilhosamente simbolizado pelo candelabro de sete hastes. O candelabro quando aceso do centro para as extremidades imita o crescer e o minguar da lua.
O sábado é a arte de interromper o automatismo e dar um salto do visível para o invísel por meio do pensamento abstrato. O dia da semana é só uma embrança no calendário.
Jesus, o único Mestre, nos mostra que o sábado não deve ser um ritual automatizado e nos mostra que a interrupção que possibilita o salto do visível para o invísivel também é representada e praticada eficazmente pelos 40 dias no deserto e os 3 dias no ventre da baleia.

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