quarta-feira, 22 de março de 2017

Desdenhar a perfeição é o maior dos erros

Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. Mateus 5:48
É possível ser perfeito ?
Se Jesus, o único Mestre, faz esta solicitação, podemos concluir que sim !
Se é possível como conseguiremos ser ?
Confiando nos ensinamentos de Jesus: vigiar (observar), orar (refletir) e jejuar (esvaziar-se do rancor para melhor observar e refletir) sobre os grãos de mostarda de informação que nos são oferecidos, porque a promessa é de que se tivermos a fé do tamanho de um grão de mostarda nada nos será impossível. Mateus 17:20
Você sabe o que é perfeito ?
De imediato, nos ocorre que perfeito é o que não possui defeito ! Essa ideia, obviamente procede, mas ela é suficiente ? Podemos considerá-la um raciocínio completo ?
O significado de perfeito é exatamente este: completo, isto é, aquilo que foi finalizado.
O que conhecemos de finalizado ? Muitas coisas, porém, não conhecemos tudo.
De outro lado também é incompleta a nossa compreensão de conhecer porque muitas vezes imaginamos conhecer o que conseguimos ver, tocar ou ouvir.
Ou seja, nossos recursos para conhecer algo ou considerar algo conhecido são incompletos.
Jesus usa como modelo o Pai, o Criador, um ser que consideramos invisível.
Angustiados e mal instruídos nós nos precipitamos (caimos) e ficamos prisioneiros de ideias incompletas elaboradas por nós ou por outras pessoas.
Logo, confiando em Jesus, a perfeição existe e é algo possível, porém ainda somos despreparados para admirá-la.
Por precisarmos de preparo é que a misericórdia do Criador providenciou a Instrução, a Lei.
Jesus nos adverte que a Lei (aquilo que deve ser lido) é um fenômeno visível com a função de nos instruir sobre o invisível. A Lei é um instrumento feito para o homem, mas o homem não foi feito para Lei. Marcos 2:27
Fé (etapa do conhecimento ainda ligada às aparências dos fenômenos) é seguir os fragmentos (grãos) para transitar do visível para o invisível.
Um grão, ou seja, uma semente é a melhor ilustração de transição do visível para o invisível porque é algo completo (fim de um ciclo) e promessa de uma nova planta.
Todo grão contém o seu fiat lux programado, que acontecerá involuntariamente.
Para nós humanos, seres confinados em grupo e cada qual numa determinada cultura, este momento é quando se rompe o invólucro da psiquê e se manifesta a zoé.
Psiquê e Zoé são duas palavras gregas de dimensões diferentes traduzidas em português como a palavra Vida num dos versículos mais intrigantes do Evangelho: “Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna”. João 12:25
Problemas, não é ? Não só as palavras originais podem transportar equívocos como as traduções tornam seus significados ainda mais imprecisos.
A vida amada ou odiada em questão é a psiquê e a vida eterna é a zoé.
Psiquê é a vida que levamos socialmente e da qual derivamos a nossa identidade cultural ou individual (a consciência ou vaga impressão que temos de nós mesmos) e zoé é a vida total, plena, isto é, sem as restrições de nossas percepções e convenções.
A zoé, a vida total, em que existe o Criador como modelo, é um salto no infinito e no eterno.
Nascer de novo, como convida o Evangelho, é adquirir a perspectiva de que o grão se não cair na terra e morrer ficará ele só, mas se cair na terra e morrer dará muitos frutos. É doar-se para multiplicar-se. João 12:24
Estamos imersos na perfeição e com ela não nos relacionamos com alegria muitas vezes por falta ou excesso de programação.
O Criador é perfeito, portanto, completo, logo, melhor percebido nos acontecimentos finalizados ou nas partes finalizadas de acontecimentos em curso.
Podemos começar por este grão de apreciar nossos próprios feitos (ainda que recheados de defeitos).
O Livro de Gênesis, a origem (mais uma referência à semente), encontramos o relato do Criador contemplando a realização de cada dia, considerando boa sua realização etapa por etapa e ao fim de sua criação reservou um momento para apreciar o todo realizado.
Folheie suas realizações e em cada etapa finalizada você perceberá que o Criador se revela.
“Há muito ainda o que fazer!” - suspiramos muitas vezes e ouvimos muita gente suspirar, mas lembremos que o fardo é leve e o jugo é suave e ninguém tem autoridade para nos privar da felicidade de apreciarmos o que já realizamos.
Nosso querido Moisés foi convidado para libertar o povo das mãos do faraó. Foi bem sucedido e morreu queixoso por sentir que não haveria de cumprir a sua tarefa.
Rico e pobre Moisés ! Ao cumprir sua tarefa vivenciou com plenitude a intimidade com o Criador e notou partes do plano de Deus que não caberia a Moisés realizar, mas ele desejou realizar. A saber, libertar o povo da idolatria !
Podemos completar esta ideia nos próximos textos ? Por hora, degustemos a realização desta pequena etapa.

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