sexta-feira, 17 de março de 2017

Confissões

Todos, em algum momento, foram solicitados a responder para satisfazer a curiosidade de alguém sobre religião.
Muitas vezes respondemos, mas não correspondemos. A expectativa é que saibamos responder e a religião deve ser conhecida pelo curioso ou previamente catalogada.
De modo genérico podemos dizer que somos cristãos, judeus, budistas, muçulmanos ou candomblecistas e se a conversa se estende a classificação torna-se mais específica: católico apostólico ou ortodoxo, por exemplo. Acrescenta-se aí, também, a intensidade da dedicação devotada.
Sua religião, de certo modo, antecipa sua visão de mundo e o faz mais colaborador em alguns assuntos que outros.
A sua religião o inviabiliza de trabalhar aos sábados ?
Para um empregador é essencial obter estas informação antes de contratá-lo...
Jesus escandalizou os sacerdotes ao curar doentes aos sábados e isso foi um dos pretextos usados para cosumar a crucificação !
Se o objetivo da religião é despertar a piedade nas pessoas é um contra senso ignóbil autoridades religiosas punir com a pena capital alguém que se mostrou piedoso.
Isso nos leva, no mínimo, caso haja coerência de nossa parte, a considerar que nunca se tratou de religião o assassinato de Jesus.
Se muitos devotos expressam alguma ingenuidade, não podemos esperar nenhuma ingenuidade das autoridades, ainda que o Evangelho tenha registrado a boçalidade de um Nicodemos.
Pois bem, de que se trata ?
Apenas de controle social. De pura supervisão !
Sua religião não interessa, querem extrair de você a sua confissão para saber o que esperar de você.
O Evangelho nos contemplou com o episódio de João Batista. Especuladores o inquiriram sob qual motivação ele batizava e estavam ansiosos para saber e ele se autoproclamava profeta. Para espanto dos emissários Batista insinuou que o incômodo de quem batiza com água é pequeno perto dos que os supervisores terão quando chegar quem batizará com fogo, então, estejam preparados ou esgotem-se de preocupação.
Desde o tempo de Jesus o povo não era instruído por quem recebeu a incumbência de instruí-lo e a instrução acontecia de modo marginal.
Triste, porque Torá significa exatamente instrução.
Já, episcopo significa exatamente supervisor.
Sim, o bispo, de seu palácio episcopal, cumpre, ciosamente, seu dever de supervisionar.
Desde o tempo de Jesus o magistério oficial é um fracasso e o catecismo uma coleção de respostas convenientes a questinamentos inevitáveis ou constrangedores.
Diferente dos escribas Batista e Jesus instruíam o povo e dada instrução abalava a autoridade dos supervisores, isto é, episcopos ou, pela corruptela usual, bispos !
Batista foi caprichosamente decapitado enquanto Jesus covardemente levado ao madeiro.
Os supervisores da santidade e pretensos modelos de boa conduta sempre foram covardes.
A confissão nunca teve apreço pelo o pescoço do devoto, mas a sublime missão de poupar o fio da espada dos supervisores.
Reconhecer a diferença entre religião e confissão é um passo importante para se tornar um religioso.
Mergulhe no Rio Jordão (mergulho é o significado da palavra batismo) e recomece !

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