segunda-feira, 27 de março de 2017

Jesus é grego e o Amor é um banquete

Alguma interrogação ?
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Você pode ser brasileiro, morar no Brasil e ser culturalmente britânico !
A Constituição do Brasil pode afirmar que o país seja uma República, mas a educação oficial e a mídia podem, na prática, formar mentalidades monarquistas.
Jesus era judeu de origem e, a partir de quase adulto, viveu na Galileia, região helenizada não só por estar próxima de Damasco e da rota da seda como também ser vizinha dos portos de Tiro e Sidom (atual Líbano) e de contato intenso com a civilização grega.
Na Sua infância, lembremos que Maria e José fugiram para o Egito dos Ptolomeus, dinastia dos generais de Alexandre, o Grande.
Nenhum registro confirma onde Ele viveu a adolescência, mas podemos imaginar que sendo carpinteiro por profissão ao ser solicitado pelos comerciantes das companhias marítimas para construção ou manutenção de embarcações que Ele viajou por muitos lugares de grande cultura e que o idioma grego também Lhe fosse familiar. O que explica sua intimidade com a pescaria. Seus primeiros discípulos apresentavam nomes gregos: André, Felipe e híbridos como Natanael Bartolomeu. João e Thiago parecem nomes helenizados ou, se originalmente hebreus, possuem uma sonoridade cosmopolita.
Superadas estas primeiras estranhezas podemos acrescentar que a semelhança de comportamento entre Jesus e o filósofo grego Sócrates (400 anos antes de Cristo) são impressionantes seja na revelação da verdade e justiça ou nas ideias de amor e liberdade como nas condições e acusações que levaram os dois a julgamento e morte.
O Evangelho, apenas por ser redigido em grego, nos permite seguir esses kokos de mostarda, mas as semelhanças entre os dois são fascinantes até na blasfêmia que lhes é imputada.
A obra ‘O Banquete’ como é traduzida ou ‘Simpósio’ no original de Platão os convidados aceitam como atividade fazer discursos em elogio ao Amor.
Estão presentes um médico, um comediante, um trágico, um político e Sócrates.
A estrutura narrativa é um deleite à parte além de bastante esclarecedora: é um narrador contando que ouviu a história de outro narrador que estava presente no referido banquete e cada narrador, a seu tempo, se desculpando ao ouvinte por não lembrar das palavras exatas ou de todos os argumentos apresentados no evanto ocorrido há long, long, long time ago. De modo que o leitor compreende que cada narrador possa acrescentar ou subtrair pontos conforme seus próprios interesses.
Minha vez de resumir a série de elogios ao Amor: cada orador ao elogiar ao Amor se apoiou no conhecimento que possuia da própria profissão, que resultou em elogios às atividades da medicina, da comédia, da poesia e do ciúmes e da sedução.
Coube a Sócrates na condição de último orador apontar os equívocos dos oradores anteriores e de sua exposição resulta que o Amor é uma inspiração.
Por ser a inspiração e anseio para realizar algo belo e benéfico justificaria o equívocos de cada um atribuir ao Amor a características de suas Artes porque suas Artes seriam, segundo a inquirição de Sócrates, efeitos ou resultados ou frutos do Amor.
Como um gênio que é, o Amor escolheria as pessoas e as atividades oportunas para realizar as suas intenções. Caberia ao ser humano esperar pela inspiração para servir como instrumento.
O Amor por preferir o belo e o bem sempre escolherá os justos e sinceros como instrumentos. Portanto, quem pretende ser um instrumento do Amor deve praticar a justiça e procurar pela verdade nos intervalos das inspirações.
O Amor descrito por Sócrates na linguagem evangélica se assemelha a ideia de Graça.
O leitor do Evangelho deve se lembrar do binômio Graça e Verdade. João 1
Amar o inimigo parece algo mais simples agora ?
Inspirar o inimigo parece possível ?
Como se faz isso ?
Saiba que ninguém mais vigia os seus passos que o seu inimigo e se você praticar a justiça e a verdade ele será o primeiro a testemunhar sobre a sua dignidade.
O seu inimigo poderá difamar você e até vender você como escravo, mas a verdade será sempre aliada do justo.
A exemplo de Sócrates e Jesus a verdade lhe presenteará com muitos inimigos em Atenas ou em Jerusalém, por isso lhe desejo coragem.
Este é o Amor que Jesus veio nos ensinar: fardo leve e jugo suave !
Adotá-Lo como único Mestre é uma fonte inesgotável de inspiração.
χάρις και αληθεία  para todos vocês !

sábado, 25 de março de 2017

Sábado é o dia do invisível

O Livro de Gênesis relata que o Criador utilizou 6 dias para realizar a Criação e depois interrompeu, isto é, finalizou. O Pai perfeito que poderia realizar tudo num único gesto preferiu realizar etapas a cada dia e interromper e define um período para finalizar um conjunto de dias.
Isso parece um tanto caprichoso !
Curioso é que o número sete é um número invisível.
Considere que a ideia de número já é um conceito bastante avançado, pois já se trata de uma abstração e antes desta capacidade de abstrair o ser humano percebia o que era visível.
As noções de quantidade visíveis eram as partes do nosso corpo e de outros animais.
2 olhos
2 orelhas
2 braços
2 pernas
2 mãos
2 pés
Mesmo que não houvesse uma palavra ou definição para este conjunto o ser humano se relacionava pois teria que distribuir as partes das caças abatidas.
Diante dos ossos partes como braços e pernas eram subdivididos ao que chamamos facilmente hoje em dia como braço e antebraço e outros pares nas pernas como coxa e sobrecoxa.
No conjunto de números pares jamais seria vísível o número sete, mas outros números ímpares são naturalmente apresentados, impossível não notar os 5 dedos das mãos ou dos pés.
O número 3, mais discreto, ainda é apresentado nas subdivisões dos dedos: falange, falanginha e falangeta.
O número 1 é basicamente a percepção do indivíduo, mas é interessante considerar que esta seja uma percepção tardia, pois a existência do casal é mais forte. Também, no conjunto da prole, em que nascem filhos de um em um não é impossível a concepção de gêmeos e, mais raramente, trigêmeos.
O número 9 também não é um número imediato ! Observando os dedos da mão, já consciente do polegar opositor, notam-se os pares 4 e 2, e, considerando as frações dos dedos, os pares 12 e 6, e, de maneira sofisticada, os múltiplos de 12, 6, 3 e 9.
O sete é, talvez, o último número percebido e por isso sempre foi mencionado com certa cerimônia.
Impressionante é que o número se acomodou muito bem em outro fenômeno fascinante, ficou como o dia de transição entre uma fase da lua e outra. Quantos dias possuem cada fase ? Qual o momento exato da mudança entre as fases ?
O que o sábado interrompe ? O número sete finaliza, portanto, mais que invisível ele é perfeito porque caracteriza algo completo.
O invisísel, tão bem representado no pensamento abstrato, é maravilhosamente simbolizado pelo candelabro de sete hastes. O candelabro quando aceso do centro para as extremidades imita o crescer e o minguar da lua.
O sábado é a arte de interromper o automatismo e dar um salto do visível para o invísel por meio do pensamento abstrato. O dia da semana é só uma embrança no calendário.
Jesus, o único Mestre, nos mostra que o sábado não deve ser um ritual automatizado e nos mostra que a interrupção que possibilita o salto do visível para o invísivel também é representada e praticada eficazmente pelos 40 dias no deserto e os 3 dias no ventre da baleia.

sexta-feira, 24 de março de 2017

A verdade nos protege das certezas

Jesus disse a Pilatos que Ele veio para dar testemunho da verdade e Pilatos quis saber o que seria a verdade e Jesus nada respondeu. João 18
Jesus, auto definido como ‘o caminho, a verdade e a vida (zoé), não pôde se dar ao luxo de explicar para Pilatos sobre a verdade porque isso levaria tempo e o plano era mostrar o sinal de Jonas no sábado daquela Páscoa.
Por que o sábado? Por que na Páscoa ?
Estes são grãos de mostarda que devemos plantar no nosso jejum para obeservar os acontecimentos e refletir sobre eles sem o rancor com que nos catequizaram.
Somos catequizados para termos certezas. Tudo o que nos ensinaram foi para o nosso bem e, principalmente, não erre.
Claro que a verdade é o lastro de todas as certezas, porém a certeza não necessita tanto da verdade para convencer quem ainda está desinformado (não está dentro da forma).
O catecismo preenche nossa psiquê (vida cultural) com certezas para que nela não haja espaço para outros catecismos e, de catecismos em catecismos, nossos olhos ficam cegos para a zoé (vida total).
No episódio entre Abimeleque e Abraão sobre Sara nos mostra o conflito entre certeza e verdade. Gênesis 20
Quando pensamos em Abraão e Sara lembramos apenas do vínculo marido e esposa entre eles, mas eles além de casados também são meio-irmãos filhos do mesmo pai e mães diferentes.
Abraão apresentou Sara como sua irmã em vez de apresentá-la como esposa.
Abimeleque voltou a passar pelo mesma experiência, mas desta vez com Isaque e Rebeca, por sorte ou bênção, talvez por ser mais cauteloso e atento, em algum momento viu Isaque brincando
Abimeleque se interessou por Sara e a tomou com propósito de torná-la sua esposa.
Deus avisou Abimeleque em sonho para devolver Sara ao marido e Abimeleque reclama que sua intenção nunca foi manchar a honra do casal porque acreditava que Sara era apenas irmã de Abraão conforme foram apresentados e não houve nenhum protesto de Abraão posteriormente.
Abimeleque ainda não havia tocado em Sara e por um triz não maculou seu reino com o adultério praticado pelo rei.
Abimeleque tira satisfação com Abraão e da grande desgraça que poderia acontecer.
Abraão se defendeu afirmando que de fato Sara era sua irmã e que haviam combinado entre si de se apresentarem deste modo em todos os lugares.
Erro de comunicação ? Choque de culturas ? Fidelidade ao acordo íntimo realizado entre o casal? Covardia de Abraão ?
O casal previa o risco de adultério, menos Abimeleque !
Todos possuiam certezas, mas não testemunhavam a verdade: Abimeleque por insuficiência de informação e Sara e Abraão por covardia.
Interesante foia reação de Abimeleque! Ele ficou mais feliz por deixar de cometer o erro do adultério que empenhado em punir Abraão pela grave omissão.
Em vez de ser punido Abraão ainda recebeu ovelhas e permissão habitar pastar seu rebanho nas terras de Abimeleque.
Para título de informação e reflexão: Abraão já havia passado por este erro de apresentar a mui formosa à vista esposa Sara como irmã no Egito. Gênesis 12
Depois de certo tempo Abimeleque passa pelo mesmo problema com Isaque e Rebeca, mais cuidadoso, observa em algum momento Isaque e Rebeca brincando como só marido e esposa brincam e toma a iniciativa de advertir o casal quanto ao costume de se apresentar como irmãos e protege a honra de da mui formosa à vista Rebeca. Gênesis 26
Abimeleque nos mostra que é melhor observar que se acomodar nas palavras de apresentação.
As palavras transportam certezas, mas a observação e reflexão nos revelam a verdade, por isso: vigiai e orai ! Mateus 26
Muitos grãos de mostarda esperam por um coração limpo de catecismos (certezas) para se tornarem grandes hortaliças.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Deus: Aquele que é o que é

Jesus nos convida a amarmos os inimigos para sermos perfeito como o Pai que está nos céus é.
Mateus 5
Ao exigir amar os inimigos parece que Deus sabotou toda chance de sermos perfeitos.
Bem, suspiremos !
O Evangelho, a Boa Nova, possui um estilo peculiar de linguagem e precisa de intimidade, isto é, de leitura, vigiar (observar os acontecimentos), orar (refletir sobre os acontecimentos) e jejuar (esvaziar-se do rancor para melhor observar os acontecimentos e refletir sobre eles).
Você é um grão e outra pessoa é um grão e cada gesto seu ou de outra pessoa é um grão.
O que é um grão ? Isto é, o que é uma semente ?
A vida dentro de uma cápsula.
O Evangelho, escrito em grego, usa a palavra psiquê, que podemos entender como a vida dentro da cápsula e a palavra zoé, que podemos entender como a vida total, ou seja, a vida antes, durante e depois do romper da cápsula.
A existência do grão deve ser interrompida enquanto grão para que muitos frutos sejam gerados a partir da nova existência como planta.
Deus é perfeito e sabemos que perfeito significa finalizado.
Deus interrompeu o trabalho de 6 dias de Criação e contemplou o trabalho finalizado.
Se a Criação foi finalizada como é possível a criatura interferir e sempre modificar a Criação ?
A plasticidade da Criação nos permite considerar que Deus criou uma sorte de grãos que ainda não se romperam.
A psiquê é formada por peguntas e respostas e não descobrimos outro modo de nos relacionarmos com os acontecimentos ao nosso redor.
O chamado de Moisés é uma bela ilustração.
Moisés, espantado ao dialogar com a sarça ardente, demonstra sua preocupação de como explicar quem é Deus. Previu que seria assediado por muitas perguntas ao guiar o povo numa viagem insólita e a inevitável ‘Quem é Deus?’ seria a mais grave.
Deus simplesmente responde: Eu sou o que sou. Êxodo 3
Se é de uma resposta que Moisés ou o povo precisava Deus não se recusou a dá-la. Melhor seria que Deus tivesse dado uma pedrada.
Não pode ser diferente porque Deus é aquele que é o que é.
Nada mais próximo da verdade pois tudo é o que é, mesmo que você ainda não compreenda !
Este fato independe de suas perguntas ou respostas.
O contato com Deus é uma sucessão de rupturas da psiquê.
Amamos nosso catecismo e odiamos o catecismo de outras culturas pelo simples fato de sermos catequizados. Isso é um bom motivo para herdar, gerar ou manter inimigos.
Jesus até explicaria o que seria a verdade para Pilatos, mas a conversa seria longa e Jesus participava do plano de ser crucificado antes do sábado. João 18
Sábado é uma palavra que significa interromper !
Shabat Shalom !


quarta-feira, 22 de março de 2017

Desdenhar a perfeição é o maior dos erros

Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. Mateus 5:48
É possível ser perfeito ?
Se Jesus, o único Mestre, faz esta solicitação, podemos concluir que sim !
Se é possível como conseguiremos ser ?
Confiando nos ensinamentos de Jesus: vigiar (observar), orar (refletir) e jejuar (esvaziar-se do rancor para melhor observar e refletir) sobre os grãos de mostarda de informação que nos são oferecidos, porque a promessa é de que se tivermos a fé do tamanho de um grão de mostarda nada nos será impossível. Mateus 17:20
Você sabe o que é perfeito ?
De imediato, nos ocorre que perfeito é o que não possui defeito ! Essa ideia, obviamente procede, mas ela é suficiente ? Podemos considerá-la um raciocínio completo ?
O significado de perfeito é exatamente este: completo, isto é, aquilo que foi finalizado.
O que conhecemos de finalizado ? Muitas coisas, porém, não conhecemos tudo.
De outro lado também é incompleta a nossa compreensão de conhecer porque muitas vezes imaginamos conhecer o que conseguimos ver, tocar ou ouvir.
Ou seja, nossos recursos para conhecer algo ou considerar algo conhecido são incompletos.
Jesus usa como modelo o Pai, o Criador, um ser que consideramos invisível.
Angustiados e mal instruídos nós nos precipitamos (caimos) e ficamos prisioneiros de ideias incompletas elaboradas por nós ou por outras pessoas.
Logo, confiando em Jesus, a perfeição existe e é algo possível, porém ainda somos despreparados para admirá-la.
Por precisarmos de preparo é que a misericórdia do Criador providenciou a Instrução, a Lei.
Jesus nos adverte que a Lei (aquilo que deve ser lido) é um fenômeno visível com a função de nos instruir sobre o invisível. A Lei é um instrumento feito para o homem, mas o homem não foi feito para Lei. Marcos 2:27
Fé (etapa do conhecimento ainda ligada às aparências dos fenômenos) é seguir os fragmentos (grãos) para transitar do visível para o invisível.
Um grão, ou seja, uma semente é a melhor ilustração de transição do visível para o invisível porque é algo completo (fim de um ciclo) e promessa de uma nova planta.
Todo grão contém o seu fiat lux programado, que acontecerá involuntariamente.
Para nós humanos, seres confinados em grupo e cada qual numa determinada cultura, este momento é quando se rompe o invólucro da psiquê e se manifesta a zoé.
Psiquê e Zoé são duas palavras gregas de dimensões diferentes traduzidas em português como a palavra Vida num dos versículos mais intrigantes do Evangelho: “Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna”. João 12:25
Problemas, não é ? Não só as palavras originais podem transportar equívocos como as traduções tornam seus significados ainda mais imprecisos.
A vida amada ou odiada em questão é a psiquê e a vida eterna é a zoé.
Psiquê é a vida que levamos socialmente e da qual derivamos a nossa identidade cultural ou individual (a consciência ou vaga impressão que temos de nós mesmos) e zoé é a vida total, plena, isto é, sem as restrições de nossas percepções e convenções.
A zoé, a vida total, em que existe o Criador como modelo, é um salto no infinito e no eterno.
Nascer de novo, como convida o Evangelho, é adquirir a perspectiva de que o grão se não cair na terra e morrer ficará ele só, mas se cair na terra e morrer dará muitos frutos. É doar-se para multiplicar-se. João 12:24
Estamos imersos na perfeição e com ela não nos relacionamos com alegria muitas vezes por falta ou excesso de programação.
O Criador é perfeito, portanto, completo, logo, melhor percebido nos acontecimentos finalizados ou nas partes finalizadas de acontecimentos em curso.
Podemos começar por este grão de apreciar nossos próprios feitos (ainda que recheados de defeitos).
O Livro de Gênesis, a origem (mais uma referência à semente), encontramos o relato do Criador contemplando a realização de cada dia, considerando boa sua realização etapa por etapa e ao fim de sua criação reservou um momento para apreciar o todo realizado.
Folheie suas realizações e em cada etapa finalizada você perceberá que o Criador se revela.
“Há muito ainda o que fazer!” - suspiramos muitas vezes e ouvimos muita gente suspirar, mas lembremos que o fardo é leve e o jugo é suave e ninguém tem autoridade para nos privar da felicidade de apreciarmos o que já realizamos.
Nosso querido Moisés foi convidado para libertar o povo das mãos do faraó. Foi bem sucedido e morreu queixoso por sentir que não haveria de cumprir a sua tarefa.
Rico e pobre Moisés ! Ao cumprir sua tarefa vivenciou com plenitude a intimidade com o Criador e notou partes do plano de Deus que não caberia a Moisés realizar, mas ele desejou realizar. A saber, libertar o povo da idolatria !
Podemos completar esta ideia nos próximos textos ? Por hora, degustemos a realização desta pequena etapa.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Amar o inimigo é o desafio

Jesus, o único Mestre, é enfático quanto à recomendação para amarmos nossos inimigos como condição para sermos filhos do Pai. Mateus 5 e Lucas 6
Amar apenas quem nos ama não traz galardão nenhum !
Vigiar e orar sobre o tema é essencial porque os inimigos, talvez, sejam as pessoas mais adequadas para nos ensinar sobre o amor.
Se é difícil para quase todos definir o que seja amor, para definir o que seja um inimigo não encontramos a mesma dificuldade, mas com cuidado, percebemos que também não é um processo simples.
O inimigo nos invoca dor. A mágoa e o rancor nos impedem de observá-lo. A ele dirigimos o que desejamos de pior e sortudo é o inimigo que consegue despertar apenas o nosso desprezo.
Quase sempre o inimigo não se contenta com o nosso desprezo e insiste em impôr sua presença.
Como surge um inimigo ?
Quando não o herdamos ele surge da decepção ou da ideia de traição, isto é, dos erros que atribuímos a ele ou dos erros que ele atribui a nós.
O trágico é que apenas os erros das pessoas do nosso convívio é que possuem a força necessária para nos consumir.
Bingo ! O inimigo, na maioria das vezes, era alguma pessoa preferida!
Se alguém falhou com você é porque ela se desviou do seu ideal de perfeição e, por isso, Jesus, o único Mestre, usa o apelo sobre o nosso desejo de sermos perfeitos.
Qual ideal de perfeição deve prevalecer ? O seu ou do Criador ?
Ao ler os livros da Bíblia verificamos que os preferidos do Criador desfilam tantos erros que eles mal parecem modelos de alguma coisa boa.
Seja Jesus nosso grão de mostarda: Jesus um judeu da casa de Davi.
Davi, rei de Israel e Judá, como juiz foi reprovado em seu próprio veredicto quando o profeta Natã levou um caso fictício para ele julgar. Quando Natã revela o nome dos personagens Davi percebe que havia condenado a si próprio de modo mais severo que o Criador o haveria de punir. 2 Samuel 12
Ou seja, Davi, o homem rico, preparou uma emboscada para matar, Urias, o homem pobre, para roubar-lhe sua única ovelha: a esposa de Urias por quem Davi se apaixonou.
Ainda Davi... ele sofreu a guerra contra o próprio filho Absalão cujo triste desfecho foi a morte do filho.
Motivo da guerra ? Um estupro entre irmãos!
Absalão exigia que Davi, seu pai e rei, punisse o meio-irmão Amnon por ter estuprado a sua irmã Tamar e Davi se omitiu. 2 Samuel 13
Difícil não considerar que o Criador tem um dedinho podre para escolher seus preferidos !
Acompanhando a nobre genealogia de Jesus verificamos que judeus são os descendentes de Judá. Mateus 1 e Lucas 3
Judá, nada mais nada menos, idealizou a venda do irmão José como escravo. Gênesis 37
Judá era filho de Jacó e Jacó, auxiliado pela mãe Rebeca, roubou o trono de seu irmão gêmeo Esaú. Gênesis 27
Jesus, justo e conhecedor da Lei, deveria ter uma vergonha de tão ilustre família !
Prato cheio para os maledicentes não nos esquecemos que Davi era bisneto da virtuosa Rute, a moabita. Mas ser moabita é descender do incesto entre Ló e suas filhas, depois da destruição de Sodoma e Gomorra. Rute 1 e Gênesis 19
O que dizer ?
Se existe perfeição na Criação ela é algo diferente daquilo que fomos acostumados a idealizar.
A perfeição nunca foi a ausência de erros, mas a auto correção quando o erro fosse identificado.
Certamente colecionaremos menos inimigos se aproximarmos da verdade, o que implica em nos afastarmos das idealizações de perfeição, e só é possível conhecer a verdade com uma boa instrução.


domingo, 19 de março de 2017

Jesus, o único Mestre

Este texto é dirigido para quem adotou Jesus como ‘o caminho, a verdade e a vida’.
Você é livre para crer ou deixar de crer em Jesus, porém você só poderá fazer esta escolha de modo sensato se conhecê- Lo.
Jesus se apresenta como Messias e como o único Mestre.
O Messias foi rejeitado pelos sacerdotes de seu tempo, mas os seus ensinamentos afetaram e continuam afetando o mundo quer os sacerdotes aceitem ou não.
O interessante é que Jesus nada escreveu e tudo que ensinou foram palavras lançadas ao vento. Os Evangelhos aos quais temos acesso foram escritos pelos discípulos que cumpriram as funções de repórteres e cronistas, isto é, dos ensinamentos de Jesus herdamos registros resumidos.
Podemos lamentar, mas os registros que herdamos são grãos de mostarda para serem plantados nos campos da prática do vigiar (observar os acontecimentos), orar (refletir sobre os acontecimentos) e jejuar (esvaziar-se dos rancores que turvam a observação e a reflexão sobre os acontecimentos).
Quem é Jesus ?
Não se acanhe se não souber responder !
A auto definição de Jesus é: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. João 14
Se isso lhe parece estranho você pode considerar que é recomendado por Jesus a conhecer a árvore por seus frutos. Mateus 12
Outra auto definição: “Um só é vosso Mestre, a saber, o Cristo”. Mateus 23
Vigie, ore e jejue sobre essas pérolas do Evangelho !
Adotar Jesus como o único Mestre é o evento mais revolucionário do mundo porque numa sentença todos os mestres foram anulados. No cristianismo, segundo seu próprio estatuto, não existem autoridades religiosas.
Ler os Evangelhos nos diz muito sobre Jesus e seus ensinamentos.
Por isso, ler os Evangelhos é essencial e todas as suas dúvidas serão respondidas com a própria prática de observar e refletir sem rancor.
Qual o propósito de Jesus ?
Em Suas palavras: “eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo”. João 12
Portanto, se Jesus não invoca para Si a tarefa de julgar como invoca a de único Mestre não seja você um pretensioso juiz...
Uma vez que o discípulo não é superior ao seu Mestre. Lucas 6
No mais, podemos ir para casa, para os nossos, e anunciar-lhes quão grandes coisas o Senhor nos fez, e como teve misericórdia de nós. Marcos 5
Porque o mais importante é alimentar as Suas ovelhas. João 21

sábado, 18 de março de 2017

A covardia é o pecado original

Você se considera um leitor ?
Pergunto isso porque analfabeto funcional não existe, este termo é um eufemismo para analfabetos. De qualqer forma, isso atesta que ler se aprende lendo !
Você lê com alguma regularidade ?
Na hierarquia dos livros qual seria o mais importante ?
Para um cristão seria a Bíblia ?
Eis o primeiro problema porque a Bíblia não é um livro !
A Bíblia é um conjunto de livros, normalmente, oferecidos na mesma encadernação.
O mais certo é considerar que a Bíblia seja uma biblioteca.
O segundo problema é que esta biblioteca varia conforme o cânone a que esteja submetida.
A quantidade de livros é diferente caso seja uma Bíblia católica apostólica romana ou católica ortodoxa ou protestante.
Qual seria a Bíblia correta, isto é, a compilação de livros mais sagrada ?
Sem a possibilidade de conferir qual seja prevaleceu o fio da espada do supervisor com maior exército.
Mais sensato seria considerar que o Deus cristão é o Deus da diversidade, mas as acusações de heresia, blasfêmia ou apostasia não tardariam como nunca tardaram.
Superando as controvérsias iniciais outros problemas se apresentam e o fator principal sempre será a habilidade de leitura do devoto.
Uma questão importante é: um Deus onisciente precisa de supervisores ?
De fato, se o Criador onisciente não carece de supervisores os supervisore foram autoproclamados e aceitos pela pusilanimidade da tradição.
Se existe uma Bíblia em sua estante por que você não a lê ?
Simplesmente porque você não está autorizado e caso tenha a petulância de lê-la a sua leitura será reprimida pelo catecismo dos supervisores.
O perverso mecanismo consiste em que um leitor iniciante é inseguro (por ainda estar em contato com os fragmentos e não conseguir contemplar o todo da instrução) e procurará o aconselhamento de alguém supostamente mais habituado na leitura. Confiamos nos instrutores autorizados pelos supervisores dada à perseguição aos divergentes.
Mas, é suficiente ler ! Uma vez que a palavra Lei significa ‘aquilo que deve ser lido!
Grande parte da insegurança do leitor iniciante provém da insufuciência de vocabulário.
Outro problema é o aspecto cronológico. Fomos condicionados a aceitar que o começo esteja sempre no começo. Porque a falta de experiência nos faz confundirmos narrativa com enredo, enredo com conteúdo e conteúdo com instrução.
Por isso, confiamos num instrutor ! É sábio esperarmos a instrução de alguém mais experiente, mas quem seria este instrutor confiável ?
O Evangelho responde: Jesus ! Jesus é o único Mestre. Se nenhum discípulo é maior do que o Mestre, então, comece pelo Evangelho.
Ao adotar Jesus como o caminho, a verdade e a vida é importante observar que Jesus confrontou a hipocrisia das autoridades e instrutores de sua época.
Portanto, se existe uma imitação de Cristo a ser levada a cabo ela consiste em colocar à prova as autoridades e seus instrutores delegados.
Aos poucos, compreendemos que a verdade é um contínuo dia do juízo, ou seja, a incansável verificação se a aparência revela a essência dos fatos porque o Criador se auto definiu como ‘ser aquilo que é’.
É o preço a pagar por saborear o fruto do bem e do mal. Desde o momento em que identificamos algo como bom ou mau perde-se o paraíso da inocência até o ponto de Salomão afirmar a infelicidade de que quanto maior fosse a ciência maior seria o enfado.
De qualquer ser constituído de curiosidade (esta centelha divina) é previsível a desobediência, tal como aconteceu com Adão.
O Criador onisciente não ficou aborrecido pela ordem de efeitos concatenados e subsequentes, pois ao determinar o que não deve ser feito foi o mesmo que convidar Adão para fazê-lo. O motivo do aborrecimento não foi a desobediência mas a tentativa de Adão fugir quando o Criador o procurou e ao ser questionado pelo acontecimento mais uma vez tentar eximir-se da responsabilidade ao atribuir a iniciativa à Eva e esta, também temorosa por uma possível punição, defender-se ao atribuir a responsabilidade à serpente. Foram Adão e Eva covardes, obviamente zelosos pela autopreservação, por não assumirem o erro e inutilmente tentar transferir a responsabilidade a outros como se fosse possível ludibriar o juiz em vez de esperar pela compaixão do Pai.
Aos curiosos é instigante constatar que a serpente não rastejava antes de ser punida.
Rastejar-se ou se esgueirar é moldar-se a algum suporte ou relevo com a intenção de confundir quem observa. Não só é deixar de se ser o que se é como também contaminar o ser de outro ser, distanciando a aparência da essência da perfeita Criação.
O escolhido para ser o senhor da Criação foi incapaz de sustentar a altivez do bípede para imitar um ser rastejante e dissimulado. Seu artifício foi apequenar-se debaixo de uma folha de videira.
Necessário comentar que, depois do episódio, o Criador conferiu à serpente uma aparência mais condizente com a própria essência. A astuta serpente atestou uma distração do Criador com suas criaturas, que de pronto, após apurada verificação, fora corrigida.
O que há de perfeito da Criação é a predisposição para autocorrigir assim que o erro seja identificado.
A covardia é o pecado original porque origina outros pecados tais como a mentira, frágil agasalho de todos os erros e moeda podre de todas as relações.
A covardia, seja in natura ou na sua versão sofisticada de hipocrisia, é o verme que rasteja, que por rastejar, consome a dignidade da criatura feita à imagem e semelhança do Criador.
Moral da história: fugir apenas adia, e, por adiar, torna mais doloroso o momento da verdade.
Jamais transfira a outros a dádiva de ser aquilo que se é !

sexta-feira, 17 de março de 2017

Confissões

Todos, em algum momento, foram solicitados a responder para satisfazer a curiosidade de alguém sobre religião.
Muitas vezes respondemos, mas não correspondemos. A expectativa é que saibamos responder e a religião deve ser conhecida pelo curioso ou previamente catalogada.
De modo genérico podemos dizer que somos cristãos, judeus, budistas, muçulmanos ou candomblecistas e se a conversa se estende a classificação torna-se mais específica: católico apostólico ou ortodoxo, por exemplo. Acrescenta-se aí, também, a intensidade da dedicação devotada.
Sua religião, de certo modo, antecipa sua visão de mundo e o faz mais colaborador em alguns assuntos que outros.
A sua religião o inviabiliza de trabalhar aos sábados ?
Para um empregador é essencial obter estas informação antes de contratá-lo...
Jesus escandalizou os sacerdotes ao curar doentes aos sábados e isso foi um dos pretextos usados para cosumar a crucificação !
Se o objetivo da religião é despertar a piedade nas pessoas é um contra senso ignóbil autoridades religiosas punir com a pena capital alguém que se mostrou piedoso.
Isso nos leva, no mínimo, caso haja coerência de nossa parte, a considerar que nunca se tratou de religião o assassinato de Jesus.
Se muitos devotos expressam alguma ingenuidade, não podemos esperar nenhuma ingenuidade das autoridades, ainda que o Evangelho tenha registrado a boçalidade de um Nicodemos.
Pois bem, de que se trata ?
Apenas de controle social. De pura supervisão !
Sua religião não interessa, querem extrair de você a sua confissão para saber o que esperar de você.
O Evangelho nos contemplou com o episódio de João Batista. Especuladores o inquiriram sob qual motivação ele batizava e estavam ansiosos para saber e ele se autoproclamava profeta. Para espanto dos emissários Batista insinuou que o incômodo de quem batiza com água é pequeno perto dos que os supervisores terão quando chegar quem batizará com fogo, então, estejam preparados ou esgotem-se de preocupação.
Desde o tempo de Jesus o povo não era instruído por quem recebeu a incumbência de instruí-lo e a instrução acontecia de modo marginal.
Triste, porque Torá significa exatamente instrução.
Já, episcopo significa exatamente supervisor.
Sim, o bispo, de seu palácio episcopal, cumpre, ciosamente, seu dever de supervisionar.
Desde o tempo de Jesus o magistério oficial é um fracasso e o catecismo uma coleção de respostas convenientes a questinamentos inevitáveis ou constrangedores.
Diferente dos escribas Batista e Jesus instruíam o povo e dada instrução abalava a autoridade dos supervisores, isto é, episcopos ou, pela corruptela usual, bispos !
Batista foi caprichosamente decapitado enquanto Jesus covardemente levado ao madeiro.
Os supervisores da santidade e pretensos modelos de boa conduta sempre foram covardes.
A confissão nunca teve apreço pelo o pescoço do devoto, mas a sublime missão de poupar o fio da espada dos supervisores.
Reconhecer a diferença entre religião e confissão é um passo importante para se tornar um religioso.
Mergulhe no Rio Jordão (mergulho é o significado da palavra batismo) e recomece !

quinta-feira, 16 de março de 2017

Devotos de César

Por certo nada é mais frágil que o conceito de fé promovido pelo catecismo católico e, em Jacareí, estão as grades da capela Aparecidinha para confirmar este enunciado no jubiloso ano de 2017.
Você conhece o Evangelho ?
A quem conhece não parece estranha a advertência para não servir a dois senhores.
Diante disso, ao vigiar e orar, não nos pode escapar o cuidado de sempre questionarmos a qual senhor servimos.
Mais uma vez, para quem conhece o Evangelho, não é estranho constatar que nenhum personagem é tão distante dos valores de Jesus que César com todo o seu séquito.
A pomba foi desprezada em favor da águia quando os sacerdotes declararam não haver outro rei senão César.
A César o que é de César e onde estiver o seu tesouro lá estará o seu coração... o Evangelho reverbera em aconselhamentos e exortações para que o cego volte a ver e o o surdo volte a ouvir.
Claro, para que estejamos mais próximo da pomba inofensiva devemos renunciar a rapina da águia.
Dificuldade em reconhecer a qual senhor serve ? Considere qual ave o representa ou a qual queira se assemelhar: a pomba ou a águia.
Rezar em voz alta nas esquinas ? Bradar Jesus, Jesus ? Isso não é nenhum consolo para quem tenta se alinhar com Jesus. Quem se conforta dessa maneira o faz pela simples razão de desconhecer o Evangelho. Por isso, permanece o Evangelho desconhecido por muito tempo.
O Evangelho é incompatível com os estandartes de César !
O Evangelho rejeita o luxo de César !
César e o paganismo de Roma é a real devoção de muitos que louvam Jesus ou Maria ou demais santos do panteão.
Quer conhecer Jesus ? Simples, leia o Evangelho e você saberá que para manifestar seu amor por Jesus Ele lhe pedirá para alimentar as Suas ovelhas.
Ao adotar Jesus como o caminho, a verdade e a vida você entenderá que ao conhecer a verdade ela o libertará.