terça-feira, 20 de dezembro de 2016

una era de fidelidad

Beirou ao mau gosto a comoção da mídia brasileira sobre o falecimento de Fidel Castro, caudilho da sedutora ilha caribenha.
Acostumamos a fazer ouvidos moucos a tantas incoerências que mal conseguimos andar no pântano da indiferença das informações que recebemos. 
O Brasil, hoje, graças à espontaneidade tecnológica (fenômeno derivado da livre concorrência), após a variedade de fontes de opiniões promovidas pela internet, se arrependeu por ter dado força ao projeto de governo de pessoas intolerantes à ditadura militar tupiniquim porém, curiosamente, entusiastas à ditadura implantada por uma dupla de playboys.
Sem negar a importância geopolítica ocupada pelo "El Comandante", mas o mínimo contato com a definição de símbolo nos traz a mente que um símbolo precisa mais da colaboração do ouvinte do que do emissor na construção de uma alegoria comum para que ele seja receptáculo de inspirações bem sucedidas, ou seja, uma caixa de charutos só tem valor para ávidos tabagistas; para outros não passa de rolos de folhas secas oferecidos por preços extravagantes.
Cuba foi uma grande distração a empolgar, por um lado, devotos excêntricos à altura de Sartre e, por outro, a atemorizar uma massa de desinformados. José Serra e Fernando Henrique manifestaram suas exéquias e confirmaram a ingenuidade (muito suspeita!) ou, quem sabe, a mais sutil malícia da intelligentsia nacional.
A lufada liberal que ganha força na rede expressou grande alívio pela ausência do capataz do canavial. Revanchismo tardio e pueril !
Precisamos cuidar de nossa Educação e comparar, com o mais básico positivismo, os números disponíveis sobre a ilha e o mais intenso Município de nosso país.
São Paulo (o Município !) apresenta uma população maior que Cuba e uma área dez vezes menor; o PIB é  cinco vezes maior e o IDH está 1 ponto mais alto.
Muitos poderão argumentar que o bloqueio econômico é uma grande sabotagem à utopia, mas a ilha não cumpre a tarefa de uma locomotiva que precisa puxar mais 27 vagões e tantos outros 200 milhões de habitantes; além de gozar de ampla autonomia no concerto internacional.
Participássemos mais da política local e desfrutaríamos da melhor gestão de saúde possível, mas nos acostumamos a maldizer nossos gestores e venerar realidades transmitidas por uma janela tendenciosa da emissora monopolista. Acomodamo-nos ao voto nulo e abstenção em vez de investirmos 1 dia que seja para pesquisar sobre o menos pior dos candidatos toscos que nos restam (nossa falta de critérios nos condena ao desprezo dos caciques partidários!).
Longe de apoiar o reducionismo tecnocrata ou algum furor separatista, faço estas comparações apenas para mostrar que a liberdade está à distância de poucos cliques, dos quais os insulares são tolhidos covardemente. 
Quem preferir estórias da carochinha que adormeça sob a cantilena do "era uma vez num lugar tão tão tão distante".
O que mais temos por comemorar é o fim da era do ser subjugado ao fantástico televisor, que nada mais fez do que dar cores a eventos opacos, com a mais nobre função de reunir grandes audiências para consumirem comerciais de refrigerantes que adocicaram o rum dos piratas de sempre.

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