terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O maior defeito é ser político

Plutão é planeta ?
Até pouco tempo atrás não havia nenhuma dúvida.
Isso é importante ? Depende, diante do inquisitor ávido por punir é vital corresponder às expectativas e cantar o que reza a cartilha porque o algoz já amolou o cutelo.
O compromisso do gestor eleito da capital paulista de doar seus vencimentos às entidades repercutiu mais por se confundir ao citar o nome da primeira beneficiada do que por sua generosidade.
Defeituosa ou deficiente são preciosismos do "politicamente correto", por assim dizer, compreensíveis mais como armadilhas para todos numa dislexia incidental do que um ato falho a revelar os valores morais de quem troca as duas palavras, mesmo porque a AACD propagandeou por 50 anos o antigo nome. No ano 2000 um plebiscito entre os associados ratificou a mudança de nomeclatura.
Mas não é só isso ! Nas filigranas na notícia existe um ou mais fatos problemáticos: subsídio ou salário ? Doar ou não doar ? Existe um abismo entre os termos e propósitos que podem mostrar não só os equívocos de formação e preparo com a res publica dos futuros gestores como também de todos os eleitores em perdurá-los. O subsídio denota algo dentro do mandato a ser subsidiado e o salário o universo estritamente pessoal de quem o recebe. 
Já, doar ou não doar seus vencimentos de prefeito pode incitar um modismo nocivo a impactar os demais pleitos, como se digno de ser eleito fosse apenas o candidato que pudesse abdicar de seus vencimentos, isto é, apenas os abastados, os "não políticos" como a campanha eleitoral fez questão de afirmar; contrariando a razão de ser do subsídio, ou seja, promover oportunidade a todos de se afastarem das lides diárias para exercer o comando do Município com exclusividade, dedicação e independência, quando não, altivez.
Todos concordariam que a Dória é dada a faculdade de fazer o que bem entender com os seus vencimentos se ele estivesse isento deste julgamento, se não fosse a Educação, sobretudo política, a primeira e mais importante função do gestor público.
Devemos lembrar que quando o maior município do Brasil elege no 1º turno o seu Chefe do Executivo, um "não-político", com menos votos que a soma da abstenção, votos brancos e nulos podemos perceber que estamos imersos em defeitos ou deficiências (seja lá como venha a denominar-se o que nos distancia de nossos anseios).
Basta ser político para ser desprezado como nenhum defeituoso deve ser e entregamos a gestão a meras embalagens inéditas contendo os velhos venenos da desinformação.
Bem, enquanto isso, doa a quem doar !

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