domingo, 10 de abril de 2016

#partidA atrasada:

Tenho 41 anos de idade e a única certeza que encontrei no mundo é a de que ele existe muito tempo antes de mim...bem mais que 10 mil anos atrás.
Do pouco que vivi percebi mudanças tecnológicas e culturais.
Constatei que as mudanças são as características predominantes da sociedade e que o ser humano se angustia com a velocidade com que as mudanças acontecem.
O ser humano procura, em vão, conter as mudanças, ou, ao menos, a velocidade de suas consequências.
Por incrível que pareça, exige-se mais dedicação para ser conservador do que para ser revolucionário.
Herdamos conflitos e investimos muita energia tentando administrar os impactos. Oxidamos e procuramos incessantemente os antioxidantes.
De tudo que herdamos o patrimônio mais marcante está contido nas narrativas e delas desenvolvemos a habilidade motriz de todas as outras: a fantasia.
Olho para os artefatos pré-históricos e neles reconheço características femininas: seios, vagina e obesidade.
Que tanto mais posso saber? Mais nada e construo um edifício a partir da minha imaginação ou me conformo com as narrativas eleboradas por outras pessoas.
Muita cretinice da minha parte insistir que a obesidade seja uma característica feminina, pois testemunho a existência de mulheres magras atualmente. A obesidade retratada nas estatuetas deve ser um padrão antigo de beleza porque para a imaginação ser convincente não se deve agredir o que eu vejo e o que todos veem.
Se alguém se deu ao trabalho de fazer uma estátua é porque a mulheres eram cultuadas porque desde sempre estátuas se prestaram a alguma espécie de culto.
De simples mulheres elas passam a ser deusas.
E as mulheres magras? De onde saíram estas aberrações? Como estes seres desagradáveis proliferaram?
Pode ser que as mulheres magras fossem naquele tempo desprezadas? Tudo pode!
Pode ser também que na tribo em que as estátuas foram confeccionadas não houvesse mulheres magras.
Pode ser que nas tribos com mulheres magras não houvesse artistas para retratá-las.
Se a obesidade é uma consequência do sedentarismo não é de se duvidar que os mais abastados fossem os mais obesos e os magros tivessem que produzir a riqueza que engordou os senhores. Esses senhores homenagearam suas matronas, nada mais natural.
Mas, precisamos reconhecer que tudo que podemos imaginar parte da perspectiva atual, isto é, de preconceitos acumulados.
Dando um salto para a atualidade...
Se hoje o padrão de beleza é a mulher magra, mais do que uma ditadura da beleza (como interpretam alguns), expressa um mundo que receia a excassez de alimentos.
A relação entre produção e consumo foi se cristalizando esteticamente.
É mais eficiente estimular a preferência do homem pela mulher magra do que ficar palestrando ou emitindo decretos em diversos idiomas sobre a conveniência de se consumir menos alimentos.
A eficiência cria condições tranquilas e favoráveis para as mudanças, por isso, a eficiência assusta.
A eficiência também produz o efeito de “desencantar” o mundo e quando ela é aplicada sem consulta prévia recebe ares de autoritarismo.
Querendo ou não, somos frutos de nossas narrativas e delas derivam nossas ações. Todo nosso cuidado deveria consistir na seleção das narrativas que vamos adotar como ponto de partida. Este é o maior expediente político que comumente chamamos de educação!
Atentas ao que já existe está muito fácil para as mulheres determinarem o rumo das eleições municipais deste ano, mas se elas preferirem ficar distraídas com o regresso ao matriarcado fantasiado, pois bem, não nos angustiemos, no Brasil as eleições acontecem de 2 em 2 anos e a revolução está garantida proque é natural!

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