sábado, 9 de abril de 2016

#partidA atrasada: pedras ou flores

Nada melhor para falar sobre política do que imaginarmos um país, uma vez que política, na origem da palavra, quer dizer cuidar da cidade.
Imaginemos um país pequeno com 17 milhões de habitantes (quase o dobro do município de São Paulo) e bem cuidado.
Um país com muitas flores e pessoas sorridentes. Bingo! Holanda!
Adoro a Holanda e, na minha opinião, ela poderia ser esteticamente o gabarito para todos os países.
Imaginemos outro país com pessoas também sorridentes, não tão pequeno, contendo 50 milhões de habitantes (mais que o estado de São Paulo ), que não é bem cuidado.
A diferença entre estes dois países é a de que um foi colônia do outro, ou seja, o primeiro beneficiou-se da riqueza do outro.
O país famoso por suas flores foi um país habilidoso com as pedras não só com os nativos da África do Sul mas também com os do nordeste brasileiro. Conheço pessoas que lamentam a expulsão dos holandeses, pois ingenuamente imaginam que tudo por aqui seria idílico como é Amsterdã.
Não sei de onde provém a renda da Holanda atualmente, mas tive notícia de que ela pretendia explorar comercialmente a aviação regional brasileira, dadas as dimensão de nosso território.
Óbvio que o mundo é mais belo com flores, não são necessários filósofos para dizer isso a ninguém e também é obvio que ninguém portaria pedras se não corresse o risco de ser expoliado.
Colonialismo, neocolonialismo com brutalidade ou com demais sutilezas oprimirão os menos organizados - o apartheid que o diga!
Ah, as flores ! Sem o apoio das pedras elas não prevaleceriam!
Numa plantação (que não é um jardim!) haverá espaços definidos para tulipas vermelhas e para tulipas amarelas e todas elas reinvindicarão os mesmos cuidados.
Numa população que se autodetermina além do critério de um jardineiro ou agricultor serão exigidos não os mesmos cuidados mas os cuidados que cada grupo julga merecer.
Não podemos esperar que as pessoas prefiram se alistar no exército mais fraco ou que tenham pudor em lutar quando considerarem necessário.
Organizar-se é legítimo desde que não se criminalize outros que também se organizarem.
O discurso doce de Márcia Tiburi (em coro com outros filósofos retumbantes) que nos induz a desconfiar de que tudo ao redor é fascismo, porque aparenta organização e algum fervor, ou pior, por apenas nos oferecer o mínimo de contrariedade, é um veneno. É uma espécie de “campanha do desarmamento” ideológica e dissimulada, bem ao gosto do oportunismo midiático.
É vital, para todos, em tempos confusos, começarmos por distinguir audiência de consumidores, pois a política que não se prestar a refletir sobre esta distinção jamais sanará os erros que nos atormentam há muito tempo.

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