terça-feira, 12 de abril de 2016

#partidA atrasada: Do feminismo bucólico ao feminismo ofídico

Quem ler o romance O Seminarista (fácil e gostoso de ler), do escritor brasileiro Bernardo Guimarães, verá uma citação bíblica e o registro de toda uma superstição.
Margarida, a filha da comadre agregada da fazenda (a menininha pobre apaixonada e correspondida pelo bem nascido Eugênio)... - prato cheio para discorrer sobre a luta de classes e a sociedade patriarcal opressora e, de acordo com o episódio, sobre o ópio da religião - pois bem, uma cobra se enrosca na menina muito nova e as comadres a socorrem.
A dona da fazenda, mãe do bem nascido Eugênio, jamais esquecerá o episódio e o interpretará como um vaticínio.
Pudera, uma imagem arquetípica - mulher e serpente, boa coisa nunca pôde ser! O pecado atrapalhando a vocação sacerdotal do bem nascido Eugênio. Simbolismos e mais simbolismos.
Leiam o romance, é lindo e não quero contaminar a leitura de ninguém com minhas opiniões.
Mencionei esta obra literária para mostrar que as narrativas são preservadas incólumes ou reinterpretadas ou reaproveitadas pelos leitores.
A compreensão depende mais da sensibilidade do leitor do que da própria história narrada.
A pergunta é: de que modo você interpreta a combinação mulher e serpente?
A mitologia grega nos deixou a Medusa, uma história fascinante que nos inpira medo!
Quantos de nós não misturou as reações de uma história com outra, às vezes, por já ouvi-las misturadas pelas bocas de quem as contou?
Quem ler o capítulo 3 de Gênesis corre menos risco de misturá-las, mas quem as lê?
O objetivo da alegoria da mulher e da serpente no Gênesis foi para explicar a dor do parto.
Desdobramento desta história? A desobediência proporciona dor!
Quem preferir pode imaginar uma menina aterrorizada por presenciar algum parto questionar um adulto e ouvir a resposta simples e eficaz: fique longe de serpentes.
Serpentes? Nada tão icônico! Aplausos para a pedagogia hebraica!
A Bíblia é menos alegórica como as pessoas que não a leem gostaria que ela fosse.
Com a Bíblia podemos praticar a leitura e reduzir a margem de confusões.
Qualquer movimento que rejeite a Bíblia é um movimento frágil e um movimento que a rejeite sem conhecê-la é muito mais frágil .
Rejeitar a Bíblia é recorrente no movimento feminista...um movimento pretensiosamente científico contra tudo o que considera utópico.
Rejeitam a Bíblia sem um motivo inteligente! O movimento feminista não é inteligente!
Esta constatação possui menos fanatismo religioso do que de quem diz ser científico tendo como ponto de partida fábulas da mitologia.

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