quarta-feira, 13 de abril de 2016

muros, duros e puros

Não me assusto com a cerca plantada no eixo monumental de Brasília.
Louvo a iniciativa e agradeço o zelo do responsável por sua instalação.
Sempre expus o que penso e como penso e algumas vezes os muros fizeram falta.
Vivemos tempos de definições e elas solicitam fronteiras físicas.
Estivéssemos mais acostumados com o cuidado de demonstrar as fronteiras não havíamos tolerado uma aliança entre um partido supostamente revolucionário com um partido reconhecidamente fisiológico e oportunista.
O preço por nossa indiferença ficou alto.
O sapo e o escorpião estão se afogando e precisamos decidir qual pretendemos socorrer sem sermos levados pela correnteza.
Estar contra ou a favor do impeachment talvez não seja o problema.
Quem perder será desmoralizado pelo dissabor da derrota e quem vencer será desmoralizado pelas lamentações do lado derrotado. Pouco importa quem perca ou vença, o dia seguinte apesar de você há de ser outro dia. Golpe ou não golpe, parece mais um artifício da burocracia e do legalismo a serviço dos poderosos.
Se a minha opinião for relevante para alguém eu sou do grupo que acredita que impeachment sem crime é golpe, mas vivemos um período de paixões em que estar certo ou errado não conta muito.
Tivéssemos clareza sobre quem é o sapo ou o escorpião estaria tudo mais fácil.
Quem divide o Brasil entre casa grande e senzala (versão antropofágica da luta de classes) perde o melhor que o Brasil possui para oferecer: a capacidade rápida de adaptação.
O muro é mais um gesto puro do que duro.
Ilude-se quem espera que o muro consiga evitar alguma batalha campal se ela tiver que acontecer. O muro apenas nos lembra do cuidado que deveríamos ter antes das coligações, por isso ele incomoda.
O muro garante o uso simultâneo do gramado em frente ao Congresso de dois grupos divergentes sem o risco de incidentes desagradáveis provocados por alguns irresponsáveis.
A opção pela inexistência do muro é um desejo de que não houvesse divergência ou de que ela fosse tão bem comportada a ponto de não trepidar as bases do poder.

Nenhum comentário: