sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Por que a CNBB quer a Reforma Política ?

Todos sabemos que o PT é um partido patrocinado pela CNBB.
A rápida ascensão do Partidos dos Trabalhadores aconteceu pelas Comunidades Eclesiais de Base.
Nenhuma instituição possui tanta abrangência que a Igreja Católica no Brasil, por enquanto, mas as Igrejas Pentecostais estão alcançando o mesmo status e dividindo o território em todos aspectos: devotos, emissoras de rádio e televisão e parlamentares.
O PRB é um partido vinculado à Igreja Universal, nele concontram-se candidatos pastores da IURD para o Poder Legislativo nas esferas municipais, estaduais e federal.
A Igreja Universal possui a concessão da emissora de TV Record, que ajuda a promover seus candidatos pastores, apresentadores e artistas.
Recentemente inaugurou em São Paulo o Templo de Salomão, segundo comentários, maior que a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, que é reconhecido como o maior santuário dedicado à Virgem Maria do mundo.
Seria pouco imaginarmos que a Igreja Católica pretende reduzir o poder político das Igrejas Pentecostais, que também são conhecidas como Igrejas Evangélicas ?
Em São Paulo, o PRB (Partido Republicano Brasileiro) elegeu 8 deputados federais nesta eleição de 2014 e o PT elegeu 10.
Pouca diferença, não é ?
Existe outro partido majoritariamente evangélico, o PSC que elegeu 4 deputados federais.
PRB + PSC = 11 deputados federais por São Paulo contra 10 do PT.
Uma pesquisa mais minuciosa poderá identificar deputados penteconstais ou evangélicos em outros partidos.
Usamos o PRB e o PSC como exemplos por serem notórias as suas confissões religiosas, embora nem todos os candidatos sejam da mesma confissão.
Outros partidos lançam candidatos católicos e até mesmo possuem o apoio da Igreja Católica, mas nenhum possui tanto vínculo quanto o PT.
Este vínculo foi materializado em instrumento jurídico com Concordata Vaticano e Brasil, assinado pelo Presidente Lula em 2008 e que foi questionado por juristas que perceberam interferência do Vaticano na soberania do Brasil e vários dispositivos inconstitucionais.
http://acordovaticano.blogspot.com.br/2009/11/presbiterianos-condenam-concordata.html
http://acordovaticano.blogspot.com.br/2009/10/entidades-da-sociedade-civil-se.html
http://jus.com.br/peticoes/16881/acao-popular-contra-concordata-entre-brasil-e-vaticano#
Nunca podemos nos esquecer que o Vaticano é um país e suas relações enquanto estado não devem prevalecer sobre os interesses do Brasil em território brasileiro.
Na citada concordata o Vaticano indica a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) como a guardiã de seus interesses.
A CNBB encampa a Reforma Política e recolheu assinaturas com o objetivo de tramitar um projeto de lei de iniciativa popular para efetivá-la.
Fora o fato de existirem 2 partidos de confissão pentecostal, evangélica ou protestante a Assembleia de Deus pretende formar um partido exclusivo para os seus fieis que por enquanto possui a sigla PRC (Partido Republicano Cristão).
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/felipe-patury/noticia/2014/03/bvem-ai-o-prcb-um-partido-ligado-assembleia-de-deus.html
Se os evangélicos se organizam em agremiações partidárias e conseguem eleger uma bancada que se amplia a cada eleição, uma das maneiras de impedir a ascenção eleitoral deles é alterar a legislação eleitoral.
Qualquer que seja a alteração pretendida terá impacto direto nas estratégias dos candidatos evangélicos.
Pastor Marco Feliciano (PSC) possui seu domicílio eleitoral em Ribeirão Preto e recebe votos de eleitores de todo estado de São Paulo.
Por ser cantor e viajar muito para participar de celebrações ele é conhecido em vários lugares, além de ter sua imagem divulgada pelos cds e dvds de louvor.
No atual sistema eleitoral ele consegue eleger a si próprio e contribui para a eleição de outros parlamentares de seu partido ou coligação com a votação proporcional. Isto é, todos o votos do partido ou coligação são considerados para indicar a quantidade de cadeiras conquistadas pelo grupo no Parlamento e destinadas aos mais votados. No atual sistema raramente um candidato consegue sozinho a quantidade de votos necessária para assumir uma cadeira.
Quem discursa com o argumento para fortalecer um partido jamais pode deixar de considerar que esta é uma ótima maneira de fortalecer, porque o partido com maior coesão e atividade é o que possui maiores chances de vitória. O atual sistema atenua o personalismo porque sem grupo, praticamente, ninguém se elege.
Mesmo que os partidos possuam seus grandes expoentes o atual sistema ainda garante uma dose de imprevisibilidade e oxigenação do parlamento.
Caso famoso em São Paulo foi o de Roberto Freire, nome consagrado do PPS, deputado federal diversas vezes, atualmente exercendo o mandato, presidente nacional do partido e não foi eleito em 2014 e se confirmou como 4° suplente.
http://www.valor.com.br/eleicoes2014/3723486/presidente-do-pps-roberto-freire-perde-eleicao-para-camara
O atual sistema evita o cargo vitalício na maioria dos casos.
Consideremos 2 possibilidades de mudança na Reforma Eleitoral:
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1) Lista Fechada
Talvez o Pastor Marco Feliciano não seria o eleito.
Imaginemos que o nome dele não estivesse entre os 4 primeiros nomes. O PSC conquistou 4 cadeiras, se o nome dele estivesse predeterminado em 5° lugar na lista ele não seria eleito.
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No caso de Roberto Freire seria diferente. O presidente nacional do partido não seria o 1° nome da lista ?
A partir deste exemplo, percebemos que a Lista Fechada é muito nociva. Seu primeiro efeito seria o de evitar a renovação do Parlamento.
Para assegurar o mandato vitalício que se vislumbra a prática mais presente nos partidos seria a perversa concentração de poder.
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Quais as vantagens que a Igreja Católica teria neste novo cenário ?
Primeiro precisamos entender que a Igreja não pratica eleição. Seus líderes são nomeados.
O Papa acaba sendo eleito porque o Vaticano é uma monarquia absoluta sem herdeiros.
Mesmo assim o Papa precisa fazer parte do colégio restrito de Cardeais.
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O Pastor Marco Feliciano não teria os votos direcionados a ele, isto quer dizer que: sem a expectativa de vê-lo eleito o eleitor talvez não votasse no partido dele ou mesmo desanimasse de votar.
A consequência seria a redução de cadeiras conquiatadas pelo partido.
Como se vê, que bela contribuição a CNBB faz para o Brasil !
Somente ela sai fortalecida se isso acontecer...
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2) Voto Distrital
Pastor Marco Feliciano possui o domicílio eleitoral em Ribeirão Preto e recebe votos de todos municípios do Estado de São Paulo.
Se o sistema mudar para o voto distrital ele só poderá receber votos da região de Ribeirão Preto.
Restringiu draticamente o potencial eleitoral de um candidato.
Consequências:
a) o próprio Pastor Marco Feliciano não se eleger;
b) reduzir o número de cadeiras conquistadas pelo PSC no parlamento.
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Mais uma vez, vitória da CNBB, que não pretende assistir passivamente à ascenção dos pentecostais, evangélicos ou protestantes.
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Citei exemplos de partidos confessamente evangélicos porque Marina Silva foi alvo nestas eleições por ser evangélica.
A presidenciável foi desqualificada por movimentos radicais que afirmaram que ela fosse fanática, ingênua e fundamentalista e que colocaria preceitos religiosos acima dos direitos da Sociedade Brasileira, mas é evidente que a ascenção de parlamentares de outras confissões religiosas incomoda a Igreja Católica, Vaticano ou CNBB.
A Reforma Política é desnecessária e qualquer alteração trará mais mal que bem.
No mais, nunca poderemos aceitar interferência de interesses estrangeiros sobre nossa soberania.
Amor é fundamental

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