terça-feira, 4 de novembro de 2014

Dialogar ou negociar ?

Somos frutos do nosso meio e de nossas narrativas !
Somos automáticos na compreensão de algumas coisas rotineiras, de palavras rotineiras e não estamos acostumados a exercitar novas possibilidades ou respeitar o universo próprio de cada assunto.
Política não é comércio, ou é ?
Ouvir o que o outro tem para dizer não pressupõe concordar no todo ou em p...arte com o que foi ou será dito.
Nem tudo que diz algo está à venda ou interessado em comprar.
A Torre Eiffel me diz muitas coisas e não está à venda ! Ela não está à venda, mas é uma promotora de vendas !Pode ser uma atração turística, mas não se limita a isso !
Deste exemplo podemos deduzir que toda negociação está inserida no diálogo, porém é precipitado afirmar que todo diálogo seja uma negociação.
Pois bem ! A presidente Dilma Roussef declarou estar disposta ao diálogo com a oposição e a oposição se recusa a dialogar. Qual é a real expectativa entre as partes ? Barganhar, pechinchar, aumentar o lance ? De quê ?
Falar no deserto é dialogar ? Politicamente sim, porque quem for sensível para ouvir ouvirá ! Qual efeito deste encontro ? De imediato, talvez, nada !
A recorrência do tema faz com que alguém o considere um tema importante ! Há implicações em outros temas ? Somente uma apreciação cuidadosa pode indicar !
"Eu quero isso  nestas circuntâncias e posso corresponder a algumas exigências": isso já é negociação !
O diálogo não depende de acordos ! Outro exemplo: vejo uma pintura no Masp e não me agrado. Não agradar pode constituir a intenção da composição. Eu e ela dialogamos. A indiferença em agradar, também dialogamos. A intenção de agradar e não agradar, certamente dialogamos. Este diálogo interferirá em outras pinturas do mesmo e de outros artistas ? Não sei !
Na negociação existe a expectativa por um acordo, isto é, preço e, após o desfile de propostas, também nada se efetivar. Porém a intenção é uma troca. Estão no tabuleiro as necessidades de ambos e o desfecho pode ser determinante para a preservação, expansão ou perdas dos interesses de um dos lados.
Do diálogo, nós eleitores já participamos, será que os eleitos darão satisfações do que esteja sendo negociado ?
Qual o resultado da intrensigência da oposição ?
Está claro que a recusa em negociar é um diálogo em si mesmo !
Num diálogo não precisa haver contendores, isto é, na franca manisfestação de ideias não resulta em vencedores e vencidos. Quer me compreender ? Apenas ouça o que tenho a dizer ! Concordar ou discordar é uma prerrogativa de quem ouve !
Neste aspecto o Parlamento dialoga o tempo todo !
Produto deste diálogo contínuo ? Despertar a sensibilidade e possivelmente desencadear alguma negociação.
Apenas um aviso aos eleitos: minha dignidade não está à venda !
Amor é fundamental

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