domingo, 19 de outubro de 2014

Quase apedrejado

O capítulo 8 do Evangelho de João narra um dos episódios mais famosos: quem não tem pecado que atire a primeira pedra.
O interessante deste capítulo é que se Jesus evitou o apedrejamento da mulher adúltera apelando para a consciência das pessoas sobre o próprio pecado e a falta de moral para condenar alguém, Ele somente evitou que outros O apedreja...ssem, após um debate teológico, porque Jesus se escondeu.
Claro, estamos diante de 2 situações diferentes e o que fazia diferença era o grupo de pessoas que dialogava com Jesus.
No primeiro caso Jesus conversava com pessoas leigas e no segundo caso Ele conversava com doutores e sacerdotes ou profundos conhecedores das Escrituras (não é comum discutir teologia com leigos e quando acontece a discussão é com leigos pretensiosos).
Pois bem,
Era costume de Jesus ensinar e pela manhã estava na porta do templo diante de vários discípulos quando um grupo, com a intenção de preparar uma armadilha obtendo motivo para acusá-lo de algum crime contra a religião, trouxe uma mulher adúltera para que Jesus a condenasse.
Jocosa a situação do grupo que disse: "pegamos esta adúltera no próprio ato".
Vamos imaginar a tocaia !
Os sacerdotes e fariseus queriam matar Jesus, mas não podiam simplesmente matá-Lo porque, sendo o fermento dos fariseus a hipocrisia, não poderiam ter a reputação manchada por um assassinato. Precisavam de um pretexto e para isso elaboraram um plano. O assassinato de Jesus foi arquitetado.
Para um grupo organizado que policiava a vida de todos (as confissões...será que Deus precisa dealguém para ouvi-las no lugar Dele?) era fácil saber quem cometia adultério e o grupo teve o capricho de esperar um flagrante.
"Pegamos esta adúltera no próprio ato" --- O que podemos imaginar de quem diz isto ou está disposto a dar este tipo de flagrante ?
"No próprio ato" seria um momento bastante específico ou não ?
Ela estaria nua no leito com seu amante ? Não é difícil imaginar que os acusadores se aproveitaram da vítima num possível estupro coletivo.
Jesus talvez imaginou e, por isso, propôs o desafio e suas palavras sobre quem não tivesse pecado foram tão impactantes por se referirem a um pecado muito recente.
Ninguém teve ânimo para apedrejá-la e todos se retiraram. A sós com a mulher, Jesus a confortou dizendo não haver motivos para condená-la e pediu-lhe para que não pecasse mais.
O que Jesus ensinava e praticava arruinaria o poder dos sacerdotes e fariseus.
Estando Jesus ainda no templo, alguns sacerdotes O questionaram sobre as Escrituras e Jesus com profundo conhecimento e visão inovadora aumentou a irritação entre eles.
Em resumo, a conversa foi assim: se vocês acreditam que Deus conversou com Abraão, é tão difícil para vocês aceitarem que Deus também conversa comigo? Vocês não acreditam em mim porque você não são livres !
Desta vez, diante de um grupo mais frio, Jesus precisou se esconder para sair de fininho do templo e não ser apedrejado.
Amor é fundamental

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