terça-feira, 28 de outubro de 2014

Jesus ou Barrabás ?

São recorrentes os cartazes com dizeres sobre Jesus ou Barrabás e que a população preferiu o ladrão quando houve a oportunidade de escolher.
As pessoas sem compromisso ou intimidade se aproveitam deste episódio para lamentar o resultado da eleição presidencial do Brasil deste ano.
A livre associação entre ideias é legitimada pelo contato superficial... da maioria das pessoas com o Evangelho, mas não pode ser justificada com quem se auto declara e é reconhecido como ministro da Palavra. O caso do Pastor Malafaia evidencia o mal uso e abuso do Evangelho para finalidades  individuais e imediatistas.
Apreciemos o Evangelho de João:
1) Jesus foi levado contra a própria vontade a julgamento;
2) Jesus era inocente no aspecto civil, mas contrariava a autoridade dos sacerdotes;
3) Jesus foi difamado pelos sacerdotes;
4) os sacerdotes tiveram a iniciativa de prender Jesus;
5) Pilatos não viu motivos para condenar Jesus;
6) os sacerdotes acusariam Pilatos de traição a César se Jesus não fosse condenado;
7) a população estava influenciada pela difamação que os sacerdotes promoveram contra Jesus.
Apreciemos o processo eleitoral brasileiro:
1) os candidatos se inscrevem para concorrer;
2) os 2 partidos que disputaram o 2° turno possuem histórico de corrupção em seus mandatos;
3) os candidatos foram difamados pelos adversários;
4) lideranças religiosas se dividiram para apoiar os 2 candidatos;
5) a população reelegeu a atual presidente com uma vantagem muito pequena de votos.
O que podemos entender ?
1) a eleição não é julgamento porque não há condenados ou absolvidos, o que existe é uma cultura em considerar a derrota como uma punição.
2) o objetivo da eleição não é apurar culpa ou inocência de alguém e sim a capacidade administrativa do futuro presidente.
A eleição é mais simples que um julgamento e os eleitores brasileiros são menos alienados e menos submissos aos sacerdotes que os hebreus daquele tempo.
O Pastor Silas Malafaia errou gravemente porque tenta influenciar a população (seus fieis) contra a atual presidente reeleita com a sugestão que ela possui defeitos  (Dilma = Barrabás) em comparação às virtudes que o candidato derrotado não possui (Aécio = Jesus). É uma comparação ofensiva por ser muito desproporcional e apelar para fé e carinho que devotamos a Jesus.
Decepcionado por não poder dizer que a sua pregação influenciou os resultados da eleição, acaba por testemunhar contra o Evangelho por excesso de vaidade.
Pela misericórdia de Deus e para o bem da humanidade o Evangelho não precisa de sacerdotes.
A maturidade da democracia também emancipa os eleitores da tutela de quem quer que seja !
Amor é fundamental

Nenhum comentário: