domingo, 19 de outubro de 2014

Batismo, a alma lavada como forma de protesto

João Batista assumiu o compromisso de preparar o caminho para Jesus.
Seu expediente era o de convocar as pessoas ao arrependimento e as purificar nas águas do Rio Jordão, o que lhe rendeu a fama de batista, isto é, aquele que purifica.
Alvo de rumores, foi assediado pelos emissários dos fariseus.
--- Quem és tu ? Perguntaram os emissários.
...
João, ciente da inquietação que causava a sua atividade, da ansiedade dos emissários e da apreensão dos fariseus, respondeu: --- Eu não sou o Cristo.
Os emissários continuaram a investigação perguntando se ele seria Elias, algum profeta e João respondeu todas as perguntas negativamente.
Aflitos, eles solicitam para que João Batista diga algo a respeito de si mesmo para que eles possam levar alguma informação aos superiores.
Batista, desconversando, cita uma frase do profeta Isaías: eu sou a voz daquele que clama no deserto: prepare o caminho do Senhor.
Já que vocês queriam que eu disesse alguma coisa a meu próprio respeito, pronto, já disse. Agora os garotos de recado poderiam ir embora me deixar batizando porque não vou parar de batizar.
É divertido imaginar como se deu esta conversa: o tom de voz e o ânimo entre eles. De um lado, Batista, displicente, perturbando a ordem social; do outro, o serviço de inteligência dos fariseus tentando extrair de Batista algo mais do que os rumores já informavam. Como os emissários justificariam aos fariseus a falta de alguma informação relevante ?
Situação difícil que Batista dificultou mais ainda!
--- Por que batizas se não és Cristo nem Elias nem profeta ?
--- Eu batizo com água, mas depois de mim, virá quem batizará com fogo e eu (não sou nada perto dele) não sou digno de desatar as sandálias dele.
Numa sociedade preenchida por escravos você se autodescrever como alguém que não é digno de fazer a tarefa mais insignificante para um senhor é dar uma ideia da grandeza deste senhor.
Ou seja, se os seus superiores estão preocupados comigo, que sou pouca coisa, que, bem ou mal, purifico as pessoas com água; mal sabem eles as preocupações que terão quando Jesus purificar as pessoas com fogo.
Por que Batista causava tanto alvoroço e por que compreender que o batismo promovido por ele era um protesto ?
Porque os fariseus queriam controlar a sociedade e a controlavam pela religião.
Batista purificava as pessoas sem a autorização dos fariseus. Por isso, os fariseus o viam como uma ameaça.
De alma lavada, as pessoas deixavam de ser penitentes. Ao se arrependerem as pessoas começavam uma nova vida e estavam emocionalmente mais seguras, sem se sentirem imundas. Menos amarguradas pelos erros do passado (que muitas vezes eram erros apenas do ponto de vista dos fariseus) as pessoas poderiam absorver melhor os ensinamentos de Jesus.
O batismo de fogo era acender as mentes das pessoas.
Essas pessoas com suas mentes incandescentes não tolerariam mais a hipocrisia.
Libertas da hipocrisia as pessoas não seriam mais seduzidas e subjugadas pelos fariseus.
Amor é fundamental

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