quinta-feira, 11 de abril de 2013

Dar a outra face

O Evangelho é muito confuso e contraditório porque se cristalizou uma ideia comodista sobre Jesus. As pessoas não se inspiraram em Jesus, apenas o deformaram de acordo com os próprios medos.

Precisamos nos lembrar que a Palestina sempre foi um lugar de intensos conflitos e ainda é! Por mais 'manso' que alguém possa ser num ambiente com estas características não se pode confundir com um perfil acomodado e receptivo às injustiças. Evitar a agressão para não alimentá-la é uma opção de coragem e não de covardia e estar face a face com a agressão desperta um espírito arrojado.

Jesus tinha consciência da origem dos males que assolavam o seu país: o imperialismo romano, a hipocrisia dos fariseus, a escassez de alimentos e de água, a falta de saneamento básico e a ética do salve-se-quem-puder. Jesus não praticava o mal, mas não era nenhum ingênuo. Não fugia de nenhum conflito e sabia desmoralizar o agressor. É o caso de atirar a primeira pedra, já imaginaram a cena? Todos com a pedra nas mãos e ávidos por sangue? Jesus correu o sério risco de também morrer apedrejado. Ler o texto nos traz apenas o resumo da cena. Se uma discussão de casal já algo difícil de encarar quanto mais uma turba. Seguir Jesus é muito mais que repetir ladainhas e ouvir pasmaceiras.

Diante deste cenário o perdão também não pode ser apreciado como uma atitude tola. O próprio Jesus recomendava ter cautela ao perdoar. Quem erra e/ou agride deve ser repreendido e ser perdoado mediante demonstração de arrependimento. Isto quer dizer que o perdão não é gratuito. Nada mais sensato porque se você não reagir ao agressor ou ao erro você estará sendo conivente.

O que é dar a outra face? É levar um tapa e esperar outro? Brincou, né? Fique dando mole para catar moedinhas no chão para ver o que acontece!

Jesus conhecia o coração das pessoas porque observava e refletia sobre os acontecimentos. Ele era totalmente envolvido com a Sua comunidade e desejava interferir para que os sofrimentos acabassem. Tudo o que Ele fez foi com o propósito de reduzir a babaquice humana. Jesus era um filósofo ao mesmo tempo que era um homem de ação. Ensinava e praticava o que ensinava.

Por conhecer o coração das pessoas Ele sabia que o que mais lhes faltava era a fé. O método de Jesus expor as Suas ideias era desafiando as pessoas e com isso podia conhecê-las melhor à medida que ia testando os seus limites. Por exemplo, devido a intimidade com Pedro, Jesus sempre soube que Pedro iria negá-lo, e não só por três vezes, mas toda vez que corresse perigo. Porque Pedro vivia pisando na bola, ainda mais depois que Jesus fez o desastre de chamá-lo de pedra sobre a qual iria edificar a Sua Igreja.

Jesus dava a outra face o tempo todo não do jeito que comumente entendemos. A fé de Jesus  e a Sua dedicação ao projeto de anunciar o Reino dos Ceus O distinguiam das demais pessoas. O julgamento da mulher adúltera é semelhante ao julgamento realizado por Salomão ao decretar que cada mãe ficasse com uma metade da criança depois de dividi-la. Incomum, surpreendente! Podemos compreender da seguinte maneira: dê a outra face, faça o agressor compreender o motivo fútil da agressão mesmo que haja justificativa e aprovação social.

O seguidor de Jesus deve observar a sociedade, compreendê-la,  conhecer o melhor argumento e coragem para interferir. Porque a luz do mundo, quando colocada na parte mais alta do cômodo como o Mestre exigiu, será solicitada para interferir mesmo quando não queira.

De outro lado, quem for dedicado e se preparar para estas intervenções praticando a espiritualidade pode dar o próprio rosto como fiador e testemunhar a fé. Desafiar a si próprio e aos demais.

Quem tem fé é arrojado!

Dê a outra face quando estiver convicto de que não será agredido novamente e viva o arrojo do Espírito Santo!



Hy Ho!

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