quinta-feira, 28 de março de 2013

Os misericordiosos alcançarão misericórdia

Não sei se misericórdia gera miséria ou é gerada por ela.

Nas bem-aventuranças a sentença de que os misericordiosos alcançarão a misericórdia também me incomoda por suspeitar de que a palavra misericórdia como nós entendemos atualmente pouco tem a ver com a mensagem original de Jesus, a menos que haja um propósito desconhecido nesta série.

Ao consultar o dicionário, prática que adoto quando tenho dúvida não pelo significado de palavras conhecidas, mas para identificar a intenção de quem as fala e a coerência de seus gestos.

Há muito tempo eu entendo que uma palavra é a roupa de uma ideia e que o seu fiador é o gesto. Como as outras palavras que caracterizam os bem-aventurados a palavra misericórdia está soterrada por sentidos que não condizem com os gestos de Jesus.

Misericórdia nos traz a ideia de compaixão e compaixão é o sentimento de querer ajudar quem passa por uma infelicidade. Por metáfora, analogia, ironia ou não sei mais o quê a palavra misericórdia é o nome do punhal usado para matar um guerreiro vencido e ferido em combate. O tal golpe de misericórdia para que o derrotado pare de sofrer ou, sei lá, amoleça o coração do vencedor ao ver a agonia.

Misericórdia também se reveste da ideia de serviço ao denominar os hospitais de origem religiosa.

Misericórdia, compaixão ou piedade. São, na prática, sinônimos e gira em torno da ideia de pena e dó. Porém, piedade possui no original em latim 'pietatis' a ideia de cumprimento dos deveres para com os pais, a pátria e os deuses. Bom, esta informação abre uma janela para o nosso sentimento de obrigação em ajudar alguém a quem temos apreço.

O fato de ajudar alguém que sofre ser um dever não contesto, mas não sei ao certo o que é ajudar  e muitas podemos errar porque aparentemente ajudamos e nos livramos do peso na consciência ao fazer qualquer coisa aplaudida pela sociedade, ou seja, a comunidade de piedosos.

Também precisamos considerar o que é sofrer. Vemos muitas pessoas sofrendo à toa e porque querem. Há esclarecimentos para que não estejam em dificuldades e conselhos não faltam dos mais experientes.

Jesus era forte e nos ensinou  a sermos fortes  contrariando, quando necessário, o senso comum. Deu para nós a luz do espírito e nos convidou a orarmos para que evitemos os erros.

Foi recomendado para nós não julgarmos porque tanto a misericórdia quanto o sofrimento  expressado por outras pessoas não há como compreendermos completamente, mas uma coisa  é exata neste ensinamento: recebemos o que oferecemos. Causa e efeito ou ação e reação como já estamos habituados a dizer.

Importante estarmos atentos para não sermos medíocres com esta verdade ao aproveitarmos da lógica de fazer o bem para receber o bem como recompensa. Isso imputaria em dívidas para quem foi ajudado e condenaria o gesto à miséria ao escravizarmos quem por imprudência encontrou-se em dificuldades.


Hy Ho!



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