sexta-feira, 8 de março de 2013

Cartas de Paulo

Muito devemos a São Paulo pela sua dedicação à evangelização. Sofreu perseguições e mesmo assim não desistiu de evangelizar.

Mas podemos refletir sobre o ser humano Paulo a partir de seus próprios relatos.

É difícil evangelizar e ele vivia sobre o dilema evangelizar ou morrer. Encontrou algumas soluções, que inevitavelmente também traria prejuízos ao Evangelho. Conciliou a Boa Nova com valores vigentes para ser parcialmente tolerado.

Viajou e enviou mensageiros para vários lugares com culturas diferentes, porém com algo bastante comum e determinante: a mensagem de Jesus agredia as religiões de todos estes povos.

Os judeus já eram mal vistos por destoarem dos demais com a excentricidade do monoteísmo. Os judeus adoravam o Deus Único enquanto romanos, gregos e outros povos adoravam vários Deuses.

Se Jesus fosse um judeu convencional Paulo, que era judeu descendente da tribo de Benjamim, não teria grandes problemas, mas Jesus criou um cisma dentro do próprio judaísmo.

Os judeus conheciam muito bem a diferença entre as leis de Moisés e a Boa Nova, por isso perseguiam seus seguidores hereges e os gregos colocavam os adoradores do Deus Único sem nenhuma distinção no mesmo balaio.

Não era fácil comunicar as ideias e para amenizar a falta de compreensão (e por consequência a rejeição) várias concessões foram feitas. A versão de Paulo sobre a Boa Nova acabou se desviando da própria essência e radicalismo original.

Não é desprezar o grandioso trabalho do apóstolo Paulo, é apenas observar a interferência de fatores humanos na transmissão da mensagem. Paulo, convicto dos desígnos de Deus e apoiado na inspiração do Espírito Santo, por certo confiava que a mensagem seria restaurada a cada época.

A maior verdade entre todas é a de que vivemos uma nova época e que não se justifica agir com a ignorância do passado.

Para ter crédito com os judeus Paulo citava a sua circuncisão e a descendência da tribo de Benjamim. Vale lembrar também que, entre os doze filhos de Jacó, origem das tribos israelitas, Benjamim e José eram os favoritos do patriarca por serem concebidos pela esposa que ele realmente amava.

Quer dizer, tentar entender os judeus é participar de briga de família e nunca ter autoridade sobre o assunto por ser alguém de fora. Porém, famoso é o episódio em que os irmãos, por ciúmes, abandonaram José dentro de um poço á própria sorte e depois, encontrado por mercadores, foi vendido como escravo e que pelo seu talento se tornou governador no Egito, só perdoando todos os irmãos por amor a Benjamim, filho da mesma mãe, e ao pai.

Implícitos ficam o orgulho de Paulo pela sua descendência e um ressentimento de que a aliança com Deus é frustrada pelos erros e ciúmes das outras tribos.

A Nova Aliança, pelo testemunho do perdão, procura superar estas mágoas e Paulo, em sua humanidade, por limitação ou desejo ardente em comunicar reforça, muitas vezes contra a própria vontade, os valores que precisavam ser superados.

Uma revolução de consciência é muito confusa e lenta por lidar com todo tipo de vaidade.

'Para ser salvo era necessário ser cincuncisado?' 'Não, claro que não!' 'Então não há mérito nenhum em ser judeu porque não somos mais o povo escolhido?' 'Os judeus continuam a ser o povo escolhido, mas a salvação não é unicamente para os judeus!' 'Que graça tem ser judeu, então?' ' Ser judeu tem muita graça, mas se a graça for compreendida como a exclusividade da salvação, nenhuma!'

O judeu era muito apegado aos seus preceitos e formas externas de adoração e abrir mão destes hábitos confundidos com a própria identidade era muito difícil. A revolução de Jesus era propor a adoração em espírito, que evitava os constrangimentos dos gentios na busca por Deus.

Ou seja, Paulo fez um bem bolado e acabou embolando tudo.

De outro lado, na Grécia, precisava dissuadir os gregos do excesso de racionalismo. O que também destoou, obviamente! Como explicar para os filósofos que a salvação é um caminho simples
intelectualmente, exigindo tão apenas a sinceridade do amor ao próximo?

Mais uma vez! Porém os gregos foram mais tolerantes coma nova expressão de fé, creio que motivados mais pelo exotismo do Deus Único, o que pouco ajudava porque mantinha a confusão entre Novo e Antigo Testamento.

Conclusão: a mensagem de Jesus ainda está por ser descoberta em toda a sua plenitude e o caminho
continua o mesmo: abrir mão da vaidade, idolatria e superstições.

Deus é amor e faz gosto da adoração em espírito e a Jerusalém, destino de peregrinações, não é mais uma cidade na terra. Pela Nova Aliança, Jerusalém é celestial, cuja peregrinação deve ser feita com a adoração em espírito.



Hy Ho!

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