domingo, 3 de fevereiro de 2013

O mal da caridade

Fala-se muito bem da caridade.

Muitas campanhas de caridade são promovidas com um assédio intenso na rádio, na tv, no jornal, no outdoor, na porta de casa e no telemarketing.

Praticar a caridade faz com que nos sintamos melhores, mas tomemos cuidado, muito cuidado! Ao tentar fazer o bem podemos patrocinar todos os males. Há pessoas doentes e necessitadas? Há ! A resposta está diante de nossos olhos na maioria dos lugares. Quem anda pela madrugada também encontra muitas pessoas de boa-fé entregando sopa para os que dormem na rua.

Quem mais carece da caridade, quem a recebe ou quem a pratica? É muito bom praticar a caridade? É! É sempre um prazer ajudar ! Somos limitados e embora seja um prazer ajudar, ao sermos sinceros, poderemos assumir que nem sempre estamos dispostos a ajudar, mesmo havendo disponibilidade. Não doamos apenas dinheiro. Doamos talento, palavras e, sobretudo, tempo. Tudo que fazemos também é para retribuir, de alguma forma, a generosidade de alguém dispensada a nós todas as vezes que precisamos de um conselho, de uma recomendação, daquele macete em nossos hobbies e profissões. Quantos não fazem o bem com a expectativa de serem recompensados? No entanto, o bem que fizermos esperando recompensas chama-se solidariedade.Muito confundida com caridade, porém substancialmente diferente.

A caridade é um gesto de Graça! De alguém transbordando de alegria por ter mais do que o suficiente e não uma barganha com Deus ou um fundo de investimentos ou "ajudamos hoje porque não saberemos se iremos precisar amanhã".

 Fora a confusão entre solidariedade e caridade há outro problema muito maior: a indústria da caridade. Lembremos que o inimigo semeia o joio enquanto dormimos e que os lobos estão debaixo da pele de cordeiros. No jogo de aparências há inúmeras entidades de caridade que não passam de cooperativas de serviços. Empresas juridicamente revestida de utilidade pública, que não são lucrativas teoricamente, mas contratam profissionais, garantindo os seus encargos sociais. É a filantropia de férias pagas, tiradas ou vendidas. Para a garantir a longevidade da entidade,  ela é a última interessada que o mal que ela remedia acabe.

Para isso vemos a equação: quanto menos saneamento básico maior o números de internações e as mais expostas a todos os perigos são as crianças que brincam nas enchentes, que jogam bola descalças nos campinhos cheios de verminoses, e por aí vai.

Para isso vemos outra equação: quanto mais longe as pessoas morarem do trabalho maior a ausência do lar e da convivência familiar. O que justifica a alta demanda por creches para abrigar as crianças. O que justifica a alta demanda por asilos para acomodar os idosos.

Para isso vemos ainda outra equação: quanto menos ruas existirem maiores serão os congestionamentos, aumentando o estress das pessoas. O que justifica psicólogos, psiquiatras e terapeutas dopando as pessoas para tranquilizá-las.

Com reflexão encontraremos muitas outras equações!

Se os solicitantes forem pobres, como de fato são, as entidades ou o poder público oferecerá assistentes sociais para verificarem o tamanho da carência.

Diante de tanta dor não resistimos aos apelos da caridade e ajudamos, mas, inconscientes devido ao condicionamento, condenamos nossos semelhantes com a perpetuação da miséria, financiando entidades que não pretendem solucionar os problemas, mas que nos dão a sensação de bem-estar de podermos ajudar quando não somos constrangidos pelo rabo-de-olho ou assaltados pelos convênios feitos pela administração pública.

Tudo porque, na maioria das vezes, mais que caridosos somos vaidosos satisfeitos em sentarmos nos lugares de honras nos eventos chá com bolacha, de recebermos diplomas com fitinhas ou trofeus e de sermos anunciados no microfone pelo mestre de cerimônia.

Se há males que vêm para o bem, patrocinamos os bens que vêm para o mal e atribuimos ao inimigo a origem de tudo que não presta neste mundo.

Ser caridoso é maravilhoso, porém com a discrição ensinada por Jesus.



Hy Ho!

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