quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Brincar o carnaval

Há uma demagogia enorme contra o carnaval.

Sempre vem alguém a com a arenga de que a festa é uma perda de tempo e de recursos. Um prefeito aqui e outro lá que anuncia ter outras prioridades e que não investirá no carnaval recebe os aplausos dos moralistas.

A festa em si é uma festa que pretende promover alegria e soltar os bichos que habitam as nossas cabeças. O carnaval é agressivo como é por causa da repressão e é maltratado como é também por causa da repressão. Uma repressão moral de falsos moralistas.

Dizem que os recursos, sobretudo públicos, seriam melhor aplicados na saúde. Concordo! O carnaval não deve se beneficiar de recursos públicos, porém os governantes também não devem acostumar os carnavalescos a dependerem destes recursos. Tudo que for independente do poder público é melhor, mas eles usam recusrsos públicos para aliciar eleitores e censurar, de um modo ou de outro, as críticas que a irreverência do carnaval sempre traz.

O riso é cruel para os inseguros e um governante não gosta de se sentir inseguro. Costuma reprimir ou, quando astuto, tenta domesticar uma festa em que a liberdade procura a máxima expressão.

Há abusos no carnaval? Há! Nada de excepcional que justifique o fim da folia. Aliás, o carnaval pretende ser a exceção do ano quadrado que estamos condicionados a viver. A nudez incomoda muito as pessoas, mas ninguém precisa brincar nu se não quiser. Olhar já é demais? Simplesmente não olhemos! Brinquemos cada um ao seu jeito, acompanhados de pessoas em sintonia conosco.

Seguir a Jesus é ser carnavalesco, isto é, fazer de cada dia uma exceção ao mundo quadrado que nos foi imposto. Olhar com olhos renascidos as velhas coisas nos dá uma vontade incontrolável de rir.

Criticar o carnaval é um vício. Posar ser santo é horrível! Porque a santidade é nua como foi Adão e Eva antes de desobedecerem.

Não sou entusiasta do nudismo, só tento mostrar que o nosso moralismo é mediocre e se sustenta na hipocrisia.

Não sou entusiasta dos excessos de bebidas ou de outra ordem. Mas não podemos punir o que julgamos ser exceção em tempos de brinquedo como se fosse um desvio permanente das regras.

Brincar é criar vínculos. O carnaval é a maior festa popular e o povo unido estremece os pilares de qualquer poder artificial. Os governantes temem ao ouvir as trombetas soando a canção "Raça de víboras".




Hy Ho!

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