quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ler a Bíblia

Está sendo divulgada uma pesquisa que afirma que a Bíblia é o livro mais lido entre os brasileiros.

Creio que não seja! Talvez seja o livro mais lembrado pelos brasileiros, mas lido é difícil de acreditar.

Quem lê a Bíblia desenvolve a habilidade e gosto pela leitura que estimula a leitura de outros best sellers e, quem não sabe ler responde o que na pesquisa? 'Não sei ler?'

Talvez a pessoa tenha vergonha de ler algo mais simples porque até um membro da Academia Brasileira de Letras é ridicularizado entre os intelectuais com a pecha de aquilo que ele escreve não tem valor literário. Quem pensou no Paulo Coelho acertou!

Em um país em que os autores mais populares são rechaçados pelo os que procuram deter o monopólio da crítica literária fica difícil o leitor declarar a preferência de leitura.

Pior ainda, a pesquisa mostra que o segundo livro mais lido é o livro didático. Isso mostra um cenário absolutamente desfavorável ou o descaso dos entrevistados para com a pesquisa. o que me leva a pensar que a Bíblia, com as suas mesóclises e 2º pessoa no plural não deve despertar a leitura frequente.

Jamais quero questionar a sincera devoção dos brasileiros pelo livro sagrado, seu conteúdo ou de que não haja admiração pelos valores que nele são expressados. Não é isso!

Só deduzo que, a partir de uma pesquisa, o brasileiro não desenvolveu uma intimidade com a leitura e a Bíblia, entre todos os livros, nunca precisou ser lida para ser conhecida porque sempre houve uma autoridade religiosa que a lesse para os fieis.

Este costume não estimulou o fiel a ler o texto bíblico e sim o acomodou a acompanhar a leitura selecionada e comentada pelo padre ou pastor. Disto decorre algo intrigante: o fiel tem um exemplar da Bíblia, mas não pratica um contato profundo com ele.

O resultado é fascinante: o fiel conhece muita coisa mencionada na Bíblia e muita coisa deixou de conhecer.

Jesus é desconhecido, os 4 evangelhos em si são lidos de maneira periférica e os cultos são mais dedicados aos comentários doutrinários de São Paulo e de outros apóstolos ou ao velho testamento do que a meditações sobre as palavras e gestos do próprio Jesus, razão de ser de toda a Boa Nova.

Todos os textos e autores reunidos na Bíblia são importantes, mas Jesus e a Boa Nova são muito mais!


Hy Ho!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Genealogias

A coisa mais curiosa e mais sem sentido são as genealogias de Jesus. Um verdadeiro contra senso!

Não consigo imaginar Jesus entre uma pregação e outra falando de sua descendência real. "Vocês sabiam que eu sou descendente do rei Davi?"

Caso não seja ele quem tenha dito isso, ao que parece aquele Jesus que advertiu para que seus discípulos esquecessem pai e mãe e não aceitou, de modo ríspido, que a própria família o interrompesse durante  a evangelização, quem teria ?

O que aumenta a curiosidade é que dois evangelhistas fazem questão de apresentar a genealogia e outros dois não! Entre os dois que não a apresentam está João, que dos apóstolo foi quem mais teve intimidade com a família de Jesus, pois Jesus o incumbiu da responsabilidade de cuidar de Maria.

Já que Jesus não era afeito a este tipo de importância familiar ou de qualquer nobiliarquia é bem provável que entre os apóstolos isso também era irrelevante. Aliás, o maior indicador de nascimento para os seguidores da boa nova é o batismo, exatamente o ponto em que Marcos (que também deixou de mencionar a genealogia) inicia o seu evangelho.

A questão não é duvidar da verdade da genealogia ! A questão é pensar o quanto isso confunde e contradiz o próprio testemunho de Jesus, independente de qual seria a intenção dos evangelhistas.

Não existe maior realeza que ser filho de Deus e todos nós somos!

Ao batismo na água e no fogo!


Hy Ho!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Humildade

Humildade é reconhecer os próprios limites.

Generosidade é perceber os limites de outras pessoas.

Acomodar-se nos próprios limites e usar como referência os limites de outras pessoas é mediocridade.

Não possuímos habilidades para realizar várias tarefas e elas sempre nos faltarão. O mundo muda e solicita novas habilidades. Talvez não sejamos tão bons em algumas tarefas como gostaríamos de ser, mas possível superar, caso haja compromisso.

Deus é tão fiel que nos espera! Assumir o compromisso com Deus apenas exige  nós aceitarmos. Não é um caminho para acomodados, é um caminho para quem oferece o melhor  de si para a comunidade.

Ser humilde é ter consciência da própria imperfeição, porém ser humilde não redime ninguém dos defeitos. Os defeitos deixam de existir com a superação.

Ser generoso é reconhecer a imperfeição de outras pessoas. Todos pisam na bola, e se abusar, o tempo todo. Tolerar o erro da falta de habilidade é um gesto de grandeza, mas permitir o erro originado pela má-fé é ser cúmplice.

É comum errar, mas também é permitido acertar e para acertar é suficiente o compromisso.

Quase todos os fracassos são frutos da falta de qualidade na comunicação. Precisamos ser humildes e, com certa dor, reconhecer que nos comunicamos muito mal. Não é somente a questão de não ouvir, há também a falta do falar e o falar em excesso. Como saber a dose adequada? Talvez não haja como saber, mas é possível administrar impactos dos equívocos se houver compromisso.  Pedir desculpas, neste caso, pode não ser o bastante, o essencial é corrigir o erro. "Impossível" --- diria alguém --- "o que foi feito, foi feito; os resultados são irreversíveis".

Até aí, temos apenas um pretexto para quem quer fugir da responsabilidade. A frase e  o gesto denunciam a esquiva porque todo acontecimento é irreversível. É necessário dar outros passos... (nada em compensação, porque todo gesto compensatório é desastroso) agir novamente com compromisso com o acerto, buscar o objetivo quando o objetivo não se revelar o próprio erro.

Reconhecer nossos limites nos permite nascer novamente !  Voltar simbolicamente ao útero e amadurecer a percepção e o raciocínio.

Muita gente usa o argumento da humildade para não assumir a responsabilidade, isso é mediocridade. Não é capaz de fazer ou não está interessado, dê lugar para outro; abra mão do conforto e não obstrua o caminho de quem tem algo para contribuir.

A comunicação é a ferramenta importantíssima para conseguir colaboradores e a colaboração pode aumentar ou reduzir a margem de erros, daí cabe aos possíveis colaboradores comunicarem a falta de interesse pelo objetivo. Neste ponto, talvez, mais que humildade, falte sinceridade!

Ser um seguidor de Jesus consiste em agradecer o pão de cada dia, mas é algo ainda mais radical: é saber que o pão pelo pão não justifica o comodismo, a falta de sinceridade ou de compromisso.

Humildade: pode ser ou não uma virtude, a sinceridade a precede!



Hy Ho!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Reino, o Poder e a Glória para sempre

Jejuei um pouco do blog para acompanhar o carnaval, a maior manifestação popular do Brasil em termos de concentração de pessoas. Amo o Brasil e tenho muita gratidão e carinho por este chão, creio que nunca é demais repetir isso.

Também me dediquei em refletir sobre o método de alfabetização 'o ovo da pata'. Estou gostando muito da experiência com o alfabeto cirílico. Aos interessados basta procurar no facebook: o ovo da pata.

Neste jejum aconteceu de o papa renunciar. Em pleno carnaval! Esperei como seria a reação da imprensa e li algumas postagens de colunistas e blogueiros, todos querendo identificar as razões da renúncia, impacto e desdobramentos. Alguns destilando o veneno com revanchismos. Quanto ao revanchismo: é fácil mixar na cara da onça depois que ela está morta. Quanto às elocubrações: são elocubrações, algumas com mais ou menos inventividade e imaginção.

A pessoa pode ou não ser católica, mas ninguém pode negar a grande contribuição do catolicismo (sem esquecer o erros, é claro) ofereceu ao ocidente e consequentemente ao mundo. A Igreja Católica se dedicou na consolidação da identidade e coesão da Europa, e o mais importante: evangelizou. Se hoje há dissidências e uma pulverização de expressões cristãs, muito é mérito da Igreja Católica e coragem de quem ousou discordar. Queiramos ou não o mundo se divide entre os favoráveis ao dogma do Vaticano e quem se opõe a ele.

Por isso, é medíocre fingir que a renúncia do papa não possui grande significado, mas tentar saber os motivos acredito que seja uma perda de tempo. Que bom, que ruim que o papa renunciou! Sempre haverá quem  condene ou defenda o seu cajado. É possível considerar a renúncia como um gesto de humildade? Novamente o veredicto será uma acomodação de interesses. Talvez nunca teremos elementos suficientes para compreendermos esta atitude. O mais interessante é a sucessão, um momento recheado mais de orgulhos patrióticos que de fé. Quem será o novo papa? Será italiano, brasileiro? Terá ele o direito de também renunciar?

Devemos lembrar que o papado é uma expressão de grande poder não só espiritual como também político. O Vaticano é um estado com influências em quase todos os países. Territorialmente é um bairro da cidade de Roma, mas dirige paróquias em incontáveis lugares. Na prática se conta sim, a contabilidade do Vaticano é muito precisa.

Problemas de saúde? Pode ser, a idade avançada dele nos permite aceitar tal possibilidade! Em todo caso, é uma ótima justificativa! Mas se não for a saúde o fator predominante?

Procuramos explicações e precisamos corresponder as expectativas de quem as procura! Que chato isso!

Pode ser que o papa esteja justamente cansado de dar satisfações para todo mundo daquilo que ele quisesse fazer.

O Poder é alvo de assédio. A Glória é alvo de assédio. Tudo com o propósito de fatiar o Reino. Para que o Reino não seja dividido é que se atribui  Poder e Glória a quem esteja disponível para a grande e penosa missão.

Tenham certeza do quanto isso cansa!

O novo papa não fará grande diferença num pântano de fisiologismo, como aliás, nenhum outro fez. Um mundo melhor está na atitude de cada seguidor de Jesus. O papa precisou de, mais do que outra coisa, de coragem. Se compreendermos a humildade como o reconhecimento dos próprios limites, ele foi humilde e para isso ousou decepcionar muitos fieis.

O melhor que podemos fazer é acolhe-lo como irmão e tentar não julgá-lo!



Hy Ho!


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Raça de víboras

A falta de leitura da Bíblia faz com que as pessoas tenham uma ideia equivocada sobre Jesus e seus seguidores.

Jesus se comportou como cordeiro na sua crucificação porque o cordeiro era um animal muito usado nos sacrifícios e expiações. Queria com isso ensinar uma nova maneira de guerrear para melhorar o mundo. Ele não viveu os anos de pregração como um tímido animalzinho balindo enquanto fosse tosquiado.

Jesus e seu anunciador, João Batista, eram politicamente incorretos e desafiavam as autoridades opressoras. Jesus se irritava com os assédios da multidão e com a falta de compreensão dos apóstolos às suas mensagens. Era por demais generoso, mas era também humano e vivenciou as suas limitações. Operava milagres, mas exigia que o povo tivesse fé.

Conhecedor dos corações dos homens Ele soube antecipar várias armadilhas e constranger seus perseguidores. Sabia que estava diante de víboras e enviou os apóstolos às serpentes. A fé precisou ser demonstrada pela coragem. Correram o risco de serem envenenados e tinham a morte como certa.

Não é errado nos inspirarmos em um Jesus carinhoso, mas é errado imaginar uma pessoa totalmente passiva. Somos movidos pela fantasia, mas também somos o resultado de nossas narrativas. Muito se fala sobre Jesus e  um episódio bastante conhecido - a Sua briga com os mercadores no templo - é suficiente para considerarmos a sua irritação. A violência com que Jesus agiu revela uma pessoa inquieta e totalmente incomodada com um desvio de conduta ofensivo a Deus. Haja coragem para quebrar mercadorias e espalhar o dinheiro! Qual mercador ficou satisfeito com esta atitude? Nenhum deles reagiu? Não foi um momento em que Jesus ofereceu a outra face!

Jesus tinha consciência do mar de hipocrisia e oferecer a outra face após uma agressão pode ser interpretado mais como uma provocação do que um gesto piedoso.

João, no final de seu evangelho, explica que havia muitos fatos que não foram narrados. Foi uma experiência intensa e cheia de acontecimentos. Podemos imaginar que muitas coisas relevantes foram esquecidas ou mesmo detalhes do que foi narrado.

As autoridades eram crueis e não se renderam ao Evangelho logo a ressurreição. Demourou-se muito tempo para que alguns fossem sensibilizados, em especial os sacerdotes. Estes não pouparam Estêvão.

Seguir a Jesus inspira mansidão porque é um bem que procuramos, mas não se limita a isso! A César o que é de César, a Deus o que é de Deus e às víboras o quê? Amar o inimigo, com certeza, porém de um jeito bastante peculiar!



Hy Ho!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Brincar o carnaval

Há uma demagogia enorme contra o carnaval.

Sempre vem alguém a com a arenga de que a festa é uma perda de tempo e de recursos. Um prefeito aqui e outro lá que anuncia ter outras prioridades e que não investirá no carnaval recebe os aplausos dos moralistas.

A festa em si é uma festa que pretende promover alegria e soltar os bichos que habitam as nossas cabeças. O carnaval é agressivo como é por causa da repressão e é maltratado como é também por causa da repressão. Uma repressão moral de falsos moralistas.

Dizem que os recursos, sobretudo públicos, seriam melhor aplicados na saúde. Concordo! O carnaval não deve se beneficiar de recursos públicos, porém os governantes também não devem acostumar os carnavalescos a dependerem destes recursos. Tudo que for independente do poder público é melhor, mas eles usam recusrsos públicos para aliciar eleitores e censurar, de um modo ou de outro, as críticas que a irreverência do carnaval sempre traz.

O riso é cruel para os inseguros e um governante não gosta de se sentir inseguro. Costuma reprimir ou, quando astuto, tenta domesticar uma festa em que a liberdade procura a máxima expressão.

Há abusos no carnaval? Há! Nada de excepcional que justifique o fim da folia. Aliás, o carnaval pretende ser a exceção do ano quadrado que estamos condicionados a viver. A nudez incomoda muito as pessoas, mas ninguém precisa brincar nu se não quiser. Olhar já é demais? Simplesmente não olhemos! Brinquemos cada um ao seu jeito, acompanhados de pessoas em sintonia conosco.

Seguir a Jesus é ser carnavalesco, isto é, fazer de cada dia uma exceção ao mundo quadrado que nos foi imposto. Olhar com olhos renascidos as velhas coisas nos dá uma vontade incontrolável de rir.

Criticar o carnaval é um vício. Posar ser santo é horrível! Porque a santidade é nua como foi Adão e Eva antes de desobedecerem.

Não sou entusiasta do nudismo, só tento mostrar que o nosso moralismo é mediocre e se sustenta na hipocrisia.

Não sou entusiasta dos excessos de bebidas ou de outra ordem. Mas não podemos punir o que julgamos ser exceção em tempos de brinquedo como se fosse um desvio permanente das regras.

Brincar é criar vínculos. O carnaval é a maior festa popular e o povo unido estremece os pilares de qualquer poder artificial. Os governantes temem ao ouvir as trombetas soando a canção "Raça de víboras".




Hy Ho!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O mal da caridade

Fala-se muito bem da caridade.

Muitas campanhas de caridade são promovidas com um assédio intenso na rádio, na tv, no jornal, no outdoor, na porta de casa e no telemarketing.

Praticar a caridade faz com que nos sintamos melhores, mas tomemos cuidado, muito cuidado! Ao tentar fazer o bem podemos patrocinar todos os males. Há pessoas doentes e necessitadas? Há ! A resposta está diante de nossos olhos na maioria dos lugares. Quem anda pela madrugada também encontra muitas pessoas de boa-fé entregando sopa para os que dormem na rua.

Quem mais carece da caridade, quem a recebe ou quem a pratica? É muito bom praticar a caridade? É! É sempre um prazer ajudar ! Somos limitados e embora seja um prazer ajudar, ao sermos sinceros, poderemos assumir que nem sempre estamos dispostos a ajudar, mesmo havendo disponibilidade. Não doamos apenas dinheiro. Doamos talento, palavras e, sobretudo, tempo. Tudo que fazemos também é para retribuir, de alguma forma, a generosidade de alguém dispensada a nós todas as vezes que precisamos de um conselho, de uma recomendação, daquele macete em nossos hobbies e profissões. Quantos não fazem o bem com a expectativa de serem recompensados? No entanto, o bem que fizermos esperando recompensas chama-se solidariedade.Muito confundida com caridade, porém substancialmente diferente.

A caridade é um gesto de Graça! De alguém transbordando de alegria por ter mais do que o suficiente e não uma barganha com Deus ou um fundo de investimentos ou "ajudamos hoje porque não saberemos se iremos precisar amanhã".

 Fora a confusão entre solidariedade e caridade há outro problema muito maior: a indústria da caridade. Lembremos que o inimigo semeia o joio enquanto dormimos e que os lobos estão debaixo da pele de cordeiros. No jogo de aparências há inúmeras entidades de caridade que não passam de cooperativas de serviços. Empresas juridicamente revestida de utilidade pública, que não são lucrativas teoricamente, mas contratam profissionais, garantindo os seus encargos sociais. É a filantropia de férias pagas, tiradas ou vendidas. Para a garantir a longevidade da entidade,  ela é a última interessada que o mal que ela remedia acabe.

Para isso vemos a equação: quanto menos saneamento básico maior o números de internações e as mais expostas a todos os perigos são as crianças que brincam nas enchentes, que jogam bola descalças nos campinhos cheios de verminoses, e por aí vai.

Para isso vemos outra equação: quanto mais longe as pessoas morarem do trabalho maior a ausência do lar e da convivência familiar. O que justifica a alta demanda por creches para abrigar as crianças. O que justifica a alta demanda por asilos para acomodar os idosos.

Para isso vemos ainda outra equação: quanto menos ruas existirem maiores serão os congestionamentos, aumentando o estress das pessoas. O que justifica psicólogos, psiquiatras e terapeutas dopando as pessoas para tranquilizá-las.

Com reflexão encontraremos muitas outras equações!

Se os solicitantes forem pobres, como de fato são, as entidades ou o poder público oferecerá assistentes sociais para verificarem o tamanho da carência.

Diante de tanta dor não resistimos aos apelos da caridade e ajudamos, mas, inconscientes devido ao condicionamento, condenamos nossos semelhantes com a perpetuação da miséria, financiando entidades que não pretendem solucionar os problemas, mas que nos dão a sensação de bem-estar de podermos ajudar quando não somos constrangidos pelo rabo-de-olho ou assaltados pelos convênios feitos pela administração pública.

Tudo porque, na maioria das vezes, mais que caridosos somos vaidosos satisfeitos em sentarmos nos lugares de honras nos eventos chá com bolacha, de recebermos diplomas com fitinhas ou trofeus e de sermos anunciados no microfone pelo mestre de cerimônia.

Se há males que vêm para o bem, patrocinamos os bens que vêm para o mal e atribuimos ao inimigo a origem de tudo que não presta neste mundo.

Ser caridoso é maravilhoso, porém com a discrição ensinada por Jesus.



Hy Ho!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Deus é amor

Quantas vezes ouvi dizer que Deus é amor!

O significado de amor é tão difuso que se alguém duvida da existência de Deus acaba preferindo que Deus não exista. A nossa miséria é não aceitarmos a existência de algo, por mais maravilhoso que seja, se não conseguirmos defini-lo. Não seria suficiente que Deus fosse Deus? O Criador (a título de conforto)?

Imagino que o pior caminho para quem busca a comunhão com Deus seja defini-Lo como amor. Somos resultados das nossas narrativas e sempre nos envenenamos quando falamos de amor o confundindo com posse e outros sentimentos mesquinhos. Tudo bem, alguém pode considerar que eu estou falando deste jeito porque não conheço o verdadeiro amor. Que coisa! Se conhecer o verdadeiro amor for condição para que eu compreenda a magnitude de Deus só reforçará a minha sensação de abandono. Quais são as chances de eu conhecer o amor se não conhecer Deus primeiro?

Deus nos criou porque ele nos ama, Jesus foi sacrificado porque Deus nos ama! Eu me contento em considerar que só Deus seja capaz de amar e só Ele seja capaz de nos ensinar um fiapo dessa capacidade e, consequentemente, Deus é o próprio amor.

Na busca de definições poderemos cair em contínuas armadilhas! Se Deus criou porque nos ama logo amor é criar. Se Jesus foi sacrificado por nos amar logo amor é sacrifício. Por isso, considerar Deus Deus reduz todos os nossos impulsos equivocados. Claro, sem Deus não existiria nenhum gesto de amor tão somente porque nós também não existiríamos.

Deus é absoluto e as nossas ideias de amor são muito particulares, correspondendo às experiências boas ou ruins de cada pessoa, no entanto, o íntimo de cada pessoa é a maior confirmação da presença de Deus. No íntimo Deus sussurra! Quer a pessoa creia ou não. Quer a pessoa blasfeme ou não. A misericórdia de Deus é tão grande que isso não O incomoda. Deus nada perde se alguém crer Nele ou não. A pessoa perde já por não saber o que está perdendo.

Imagino que a fórmula Deus é amor é um passo para sairmos da ideia de Deus é o Senhor. As nossas narrativas sobre senhores também não são as melhores referências. Ah, um Senhor bondoso! O adjetivo oderá distingui-Lo. Que desespero! Na incapacidade de definir com os substantivos recorrer aos adjetivos! Mas porque esta relação de Deus ser o Senhor? Talvez fosse a única maneira de um crente expressar carinho, apreço e gratidão.

Poderemos amadurecer aceitando Deus como Deus, sem mais explicações. Isso não diminui a nossa gratidão e devoção. Não precisamos nos ajoelhar diante de um Senhor para demonstrar respeito e consciência de sua existência, é suficiente ser humilde! Humildade dentro do coração!

Deus nos quer livres porque Deus já nos ama de modo inesgotável.

Deus oferece sempre comunhão! Por isso poderíamos dizer que Deus é comunhão. Mas voltaríamos às nossas lembranças de comunhão fracassadas e seria um prato cheio para alguém continuar dizendo : você fala isso porque você não vivenciou a verdadeira comunhão.

Tentar definir Deus é escravidão, não a Deus, pior, a qualquer pessoa que ouse afirmar conhecer a verdade mais que você.



Hy Ho!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

No suor do seu rosto comerá o seu pão

Tudo é trabalho!

Só há uma maneira de sermos felizes: trabalhando!

Nada acontecerá sem o nosso empreendimento e nossa dedicação ou de outras pessoas. A diversão? Todos precisam descansar, se descontrair, mas entendamos que o nosso tempo livre depende dos serviçoes de outras pessoas. Enquanto nós nos divertimos estão trabalhando o DJ, o garçom, o porteiro, o segurança, a cozinheira...

Não precisamos ser obcecados pelo trabalho, mas não seremos felizes se não o relizarmos com disposição e talento. A sociedade se desenvolve ao permitir a expressão de vários talentos, de permitir que alguém faça uma tarefa que goste e ofereça o melhor de sua habilidade.

O trabalho absorve 8 ou mais horas de nossos dias. Quem é feliz no trabalho é feliz em qualquer lugar, mesmo que cansado! É gratificante realizarmos um trabalho importante! Um trabalho que crie um mundo melhor. É o trabalho um elemento essencial de nossa identidade. Quando as pessoas perguntam quem somos, de modo automático, falamos sobre a nossa profissão. Porque trabalho é pão.

Um trabalho melhor significa um pão melhor, é o que estamos condicionados a pensar. Porém, nem só de pão viverá o homem. Por isso é muito mais importante com quem nós compartilhamos o pão que o pão em si. Muitos sofrem procurando o sucesso, mas o sucesso está muito mais relacionado com a auto imagem que com os frutos saboreados. Esse não é um manifesto contra o desejo de comprar um iate, trabalhemos e compremos! Sejamos felizes ! Mas não estraguemos o mundo enquanto não o pudermos comprar!

Auto imagem e trabalho são uma coisa só, porque ninguém contrata um profissional com uma fama ruim, sem boas referências ou indicações. Certo, muito bem, e o marketing pessoal existe para facilitar o contato e a venda de serviços. Mas não se pode viver somente de marketing pessoal. Isso pode promover os sepulcros caiados, isto é, pessoas que são belas por fora e podres por dentro. Nada mais decepcionante! Ver o suor do nosso rosto jogado fora por alguém que não se dedicou o bastante para merecê-lo. Só nós sabemos o quanto suamos.

Na estratégia do marketing pessoal é muito utilizada a escama de bem-feitor. Dar esmolas, ser pio o bastante para doar certas somas à caridade. Novamente sepulcro caiado. Prejudicar o todo para construir uma imagem de generoso é uma prótese perversa no tecido social. Nada diminui o mal que causamos ao termos sido negligentes. Alívio de consciência e auto promoção: a mediocridade se alimenta disso. Quanto menos hipocrisia, maiores as chances de um mundo melhor. De tão arraigada, a hipocrisia se tornou condicionamento incensada de virtudes.

Valorizemos o nosso tempo e o tempo de todos. Respeitemos o suor de nosso rosto e do rosto de todos. Isso é amar o próximo como a nós mesmos. Precisamos estabelecer parcerias comprometidas com bons resultados. Precisamos entender que a oportunidade que nos foi dada de trabalhar para ganhar o nosso pão poderia ser dada a  outra pessoa. Não outra pessoa que necessitasse mais, mas uma outra pessoa que trabalhasse melhor.

Estabeleçamos parcerias e façamos da melhor maneira o nosso trabalho, não há caridade que compense isso! A caridade não deve ser uma obrigação, a sua beleza está na espontaneidade e o trabalho deve ser feito com alegria, por isso sejamos honestos ao concorrer a uma vaga de emprego. A empresa não existe para nos alimentar, ela existe para ser próspera. Gostemos do  patrão ou não. Não é para ele que nós trabalhamos e muito menos para nós, o trabalho é a atividade que promove um mundo mais prático, harmonioso e agradável para todos.

Se a motivação for só o nosso pão seremos  pessoas  miseráveis para sempre porque o trabalho não passará de castigo.


Hy Ho!