domingo, 6 de janeiro de 2013

O Glutão

Ora, ora, ora...se tivéssemos que confiar no julgamento dos fariseus e escribas sobre Jesus esta seria a sentença: um glutão e bebedor de vinho que senta à mesa junto com publicanos e pecadores.

Não só sobre Jesus; João Batista, que pouco comia ou bebia, era tido como endemoniado.

Quem julga corre sempre o risco de errar em seu julgamento, ainda mais se for no embalo dos outros. Logo João Batista, o novo Elias, ser rotulado como endemoniado. Chegaram a dizer também que Jesus expulsava os demônios com a participação do maior entre os demônios. Comentários que irritavam profundamente! Por isso, há de termos cuidado com a doutrina dos fariseus!

Difícil identificar os fariseus? Nem tanto! Os fariseus são os burocratas, os doutores da Lei, que fizeram dos mandamentos mera superstição. Havia pães exclusivos aos sacerdotes que nem ao rei era permitido tocar, o único que ousou foi Davi. Um grande escândalo.

Os fariseus orgulhavam-se de jejuar, mas por mera superstição. E quando fazemos algo por superstição desagradamos ao Senhor. Também desagrada ao Senhor exibir o rosto de contrição por estar jejuando. Orar em pé nos templos ou gritar nas esquinas para se exibir. Os fariseus promoviam um espetáculo horroroso de suposta demonstração de fé, enquanto o glutão simplesmente ceiava com os discípulos.

"Comei e bebei em memória de mim. Carne da minha carne, sangue do meu sangue! " Uma grande humilhação aos experts em sacrifícios e abluções. Nem sequer lavar as mãos os discípulos de Jesus lavavam antes de comer. Escândalo e repugnância para os almofadinhas do templo diante de um só gesto.

É fácil de entender! Os fariseus sobreviviam dos rituais e agir deste ou de outro modo exigia o aval destes profissionais da fé  que dedicaram anos de estudos para fazer tudo perfeitinho e o glutão chega e dissemina um ritual tão simples que até um analfabeto pode ministrar.

Quem não se compraz em comer e beber com os amigos sinceros? Em agradecer os frutos da terra e do trabalho? Deus estará presente entre dois ou três reunidos em nome Dele, basta crer e mais nada.

O jejum como superstição é apenas enfado para Deus e auto-fragelo para quem o pratica. O jejum santo é aquele consciente de uma crise crônica de  abastecimento num país árido. O jejum santo é aquele com a consciência de que ao se privar do alimento você aumentará o excedente que atenderá a provisão de outras pessoas. O jejum santo é aquele que ao reduzir o consumo equilibra a inflação. O jejum santo é aquele que, por fim, educa o seu próprio corpo para futuras e recorrentes privações.

Ao passo que, em companhia do noivo na celebração do casamento, o mais elegante a fazer é desfrutarmos da festa para não desapontá-lo.




Hy Ho!

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