sábado, 26 de janeiro de 2013

Igrejas gay

O noticiário desta semana trouxe, por ocasião do aniversário da cidade de São Paulo, a inauguração de uma igreja gay na capital paulista. A notícia foi recebida com maus olhos por Silas Malafaia, presidente do Conselho de Pastores no Brasil, que foi taxativo ao dizer que não há interpretação bíblica que aceite a homoafetividade, porém é duvidoso e tendencioso afirmar que exista alguma citação que a condene.

A data me chama a atenção porque a citação mais famosa é a de São Paulo na carta aos romanos, mas lembremos que Paulo não conviveu com Jesus e portanto não participou das pregações do Mestre. Paulo, grande perseguidor dos seguidores de Jesus, converteu-se depois da morte e ressurreição de Jesus. Compreende? Jesus nada deixou escrito, o que nos faz confiar nos relatos dos discípulos e Paulo não era um dos discípulos.

Os próprios discípulos, que conviveram dia a dia por mais de 3 anos, demonstravam dificuldades em absorver os ensinamentos e compreender as atitudes de Jesus a ponto de o Mestre, com toda compaixão que o caracterizava, irritar-se com eles por diversas vezes.

Nos quatro evangelhos a homoafetividade não é mencionada, não há opinião contra ou a favor. Ao lembrar as palavras de Jesus, percebemos que o chamado para o Reino dos Ceus era para todos. Se prestarmos atenção às palavras também podemos perceber que o fato de todos serem unidos na mesma fé e promoverem a comunhão não se impunha um convívio entre culturas e comportamentos incompatíveis, o que havia era uma feliz acolhida por quem aderisse ao evangelho sendo o principal critério de ingresso ao  grupo o firme propósito de não cometer mais pecados. Isto é, se um grupo não aceitar a comunhão com os homoafetivos essa é uma decisão do grupo, porém o grupo não pode impedir que os homoafetivos busquem, por si próprios, a comunhão com Deus. Veja só: quem é o pastor para afirmar que Deus deixará de amar alguém ?

Difícil aceitar a homoafetiviade? Sim, há muitos motivos culturais que dificultam a aceitação e o mais óbvio é de ser uma relação sem possibilidades de procriação, entre outros; porém há quem seja homoafetivo, e daí? Quem é você para impor limites à misericórdia ilimitada de Deus?

Não podemos viver de migalhas da Palavra e muito menos dar aos homens autoridade maior que a de Deus.

Se os homoafetivos são constrangidos e desprezados nas diversas igrejas que existem, fazem muito bem ao abrirem uma igreja onde eles possam estar livres dos preconceitos das pessoas. Imagino que isso demorou a acontecer!

Entre as palavras proferidas pelo Mestre existem estas registradas: "Ide e aprendei o que significa: misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento".

Se a homoafetividade é pecado ou não caberá ao coração de cada um definir com a iluminação do Espírito Santo, mas isso somente será possível se as pessoas adquirirem intimidade com a Boa Nova,  o que justifica e legitima uma igreja gay, enquanto nosso preconceito continuar nos cegando.



Hy Ho!


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