quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Jesus: o inigualável

Para começar a conversa, eu amo o Natal! É uma data que sempre fez com que eu olhasse para mim mesmo.

Não condeno as festas, mas também não sou muito chegado naquela coisa de gente em volta da mesa babando no decote da cunhada. Eu me emociono é com a ideia de um deus nascendo, da glória num estado de fragilidade e solicitando os nossos cuidados - o nosso protetor carecendo de nossa proteção - de um deus banguela sorrindo e chutando o ar a cada micagem ao redor do berço.

Eu amo a ideia de um deus vivo! Arrotando depois de mamar e sujando a fralda com um belo creme de abacate! Eu penso em Jesus em tudo que ele fez e em tudo que eu deixei de fazer por medo de nascer novamente e precisar de colo, por vergonha de sorrir banguela ou por medo de sujar as fraldas. Por não aceitar a debilidade no momento de aprendizagem! Por não aceitar as grades do berço no momento de inconsistência. Um deus passou por isso para nos mostrar a sua  graça porque já estava cansado de mostrar ira!

Grande mestre que foi, além de nos ensinar o extraordinário, jamais se furtou de nos ensinar o mais ordinário: o médico precisa estar mais entre os doentes do que nos palácios, desfrutando de comendas e banquetes.

A Boa Nova  sempre jorra com frescor, transforma a água em vinho e o oferta ao fim da festa para que as bodas sejam auspiciosas e para que se evite os deselegantes buxixos das matronas. Porque  o mestre generoso vivenciou na pele a fragilidade de um começo e todo começo, mais que carecer, merece infinitas e efusivas bênçãos. Votos de êxitos, promessas de solidariedade. Tapinhas nas costas? Que sejam...

Ocorreu-me de dizer que Jesus é ímpar, mas confesso que hesitei com receio de ouvir de algum engraçadinho: "claro que é, ele é o décimo terceiro entre os doze apóstolos..."

Hesitamos muito, receiamos muito para manter um ambiente agradabile e com isso nos limitamos.

Considerei mais adequado a palavra inigualável. Pois, sabendo o quanto as pessoas o seguiam só por causa do pão, sem dar a mínima às suas palavras; que assaltavam a sua privacidade até pelo telhado, mas não o defendiam das armadilhas; que interrompiam a sua conexão com o reino dos ceus, pedindo consolos para dramas irrisórios e mesquinhos; que inevitavelmente seria traído e negado pelos seus... mesmo assim, ele pagou a conta da última ceia.



Hy Ho!

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