domingo, 26 de agosto de 2012

Aquarelas mal desenhadas ou O Pequeno Príncipe para Políticos XVIII

"É difícil voltar a desenhar na minha idade, principalmente quando não se fez outra tentativa além das jiboias fechadas e abertas, aos seis anos!"

O aviador-narrador recorre ao estojo de aquarelas para tentar descrever o Pequeno Príncipe.

Como descrever o fantástico e maravilhoso?

Falta-lhe palavras e o desenho é mais eficaz, ainda que sem a destreza ideal.

O culto às aparências é tão grande que nada fala mais rápido que as imagens.

Tinha me esquecido dos números! Mas, e daí os números? Não passam de aquarelas mal desenhadas.

Escrevemos e desenhamos para não esquecermos porque comunicar parece ser um efeito colateral da escrita. Seremos contemplados se algum voyeur bisbilhotar nossas páginas avulsas.

Comunicar é uma sintonia com as convenções. Por exemplo: o que é sério precisa ser velho, insosso e sem cor. Por mais radiante que seja a mensagem (como a descoberta de um novo planeta) as pessoas apenas prestarão atenção se o mensageiro estiver vestindo um terno.

Isso atrasa tudo e um fato pode, com isso, ser apreciado somente muitos anos depois.

Nenhuma descrição é precisa e todo esforço de comunicação será simplesmente algumas aquarelas mal desenhadas.

"Provavelmente esquecerei detalhes dos mais importantes. Peço que me perdoem."


Também:


"Não gosto que leiam meu livro superficialmente."


Políticos, não há muito o que explicar nem como descrever seus atos.

"Vou arriscando então, aqui e ali."


Hy Ho!

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