quarta-feira, 6 de junho de 2012

Nada é perfeito ou O Pequeno Príncipe para Políticos XII

--- Nada é perfeito - suspirou a raposa.

Nem só de raposas vive a Política mas também de suspiros!

O desalento da expresssão "nada é perfeito" em nada deve confirmar o comodismo, embora seja cômodo confirmá-lo.

A ideia aqui é de que nada satisfaz 100 % e também que, numa Democracia plena, viveremos com liberdade de expressão e, portanto, constantemente contrariados.

 A astúcia da raposa é resultado da experiência de quem caça e é caçado. Na Política não precisamos ser espertos para prejudicar alguém, porém é essencial não sermos ingênuos para nos defendermos, inclusive de nós mesmos. Taí, o valor de nossa toalete diária !

Por mais adrenalina que haja no jogo da caça chega um momento em que ele se torna monótono.

Muita vezes nos esquecemos da nossa Agenda original e os motivos que nos fizeram ingressar na Política. Recordando: foi por estarmos insatisfeitos com alguma coisa. Quem nos elegeu o fez por alguma insatisfação.

Como alterar o rumo dos acontecimentos, remover causas e atenuar prejuízos se revelam como trabalhos hercúleos, quando percebemos a nossa limitação diante dos fatos, corremos o risco do desalento e da indiferença.

--- Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

E, cada vez mais dentro da cápsula, tentamos imaginar o que o povo pensa sobre os políticos:

--- Eu não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.

Como se não bastassem todas as circunstâncias que distanciam o político do povo e o povo do político, ao alargar o fosso, ambos começam a padecer de delirium persecutorum.

Sem oportunidades de diálogo não há como despertar colaboradores e os problemas continuam. Surgem, daí, os profissionais em prolongar os problemas, dilatando o fosso o máximo possível.

Deste tipo de caçada se cristaliza uma cultura letal: a de atribuir ao outro os defeitos que temos e queremos esconder e também o de achatarmos o outro para nos sentirmos maiores.

No mais:

---  Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. --- Não me cativaram ainda.




Hy Ho!



Um comentário:

Domingos Bandeirante disse...

Fernando Pessoa

"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito".