sábado, 26 de maio de 2012

Um jardim ou O Pequeno Príncipe para Políticos XI

E, deitado na relva, ele chorou.


No fazer político acabamos por perceber, quase sempre a contragosto, que a nossa rosa é apenas mais uma entre tantas rosas. E por serem rosas elas precisam das mesmas coisas: o mesmo tanto de umidade,  a mesma quantia de luminosidade, o mesmo espaço e os mesmos nutrientes de um determinado tipo de solo.

No entato, é facil constatar que não há o suficiente para todas.

Não há espaço para as mesmas habilidades e muito menos tarefas para os mesmos profissionais. A monocultura gera aridez e monotonia. Todas as ideias se tornam mais do mesmo continuamente e reprime qualquer diferença.

Outras flores reivindicam outro tipo de solo e outra quantia de umidade e luminosidade.

É sabido que demais vegetais geram mais sombras e outros menos e racionalizar a distribuição das espécies no espaço é a função do poder político. Árvores imensas que geram muita sombra precisam ter os galhos podados e áreas vazias precisam ser ocupadas com a espécie mais generosa possível, ou seja, a que menos solicita e que mais oferece.

Devido à nossa péssima formação chegamos ao Poder Público apenas com uma rosa nas mãos e não encontramos um cantinho pra ela, e que se encontrado um naco de terra no canteirinho das rosas, além de transitarmos entre espinhos, em pouco tempo fará dela tão somente mais uma rosa.

Eu que me julgava rico por ter uma flor única, e possuo apenas uma rosa comum.

Neste momento, podemos cometer o maior erro de todos na realização do projeto: abandonar a nossa rosa.

Se já não éramos ricos por ter apenas uma rosa, sem ela seremos miseráveis. A nossa maior tolice é desprezar o que temos e ficar vislumbrados com o que queremos ter.

A imaginação não deve ser usada para inventarmos coisas novas, devemos usá-la para percebermos o que já existe ou para suspeitarmos de que há algo atrás da cerca viva ou cipoal.

Do gestor é cobrado atenção a uma flor aqui e a outra lá e o trabalho se reveste de um caráter intermitente e conturbado, porém ao político é destinado outra tarefa: a de ver e despertar as pessoas para verem o jardim, o todo.

Enquanto o gestor, equivocadamente, parte do específico para o geral; cabe ao político estar vigilante e evitar que ações imediatistas e oportunistas afetem o equilíbrio do todo.

Em resumo: cabe ao político eliminar qualquer concentração de poder.

Porque da concentração de poder surgem a imperícia e a sabotagem de novos talentos.



Hy Ho!

sábado, 5 de maio de 2012

Falta imaginação ou O Pequeno Príncipe para Políticos X

O pequeno príncipe atravessou o deserto e encontrou apenas uma flor. Uma flor de três pétalas, uma florzinha insignificante...

Como saber se o político está fazendo a coisa certa? 

Porém, é possível afirmar o quanto é inevitável sermos contagiados pela aridez !

Nenhuma florzinha de três pétalas pode ser considerada insignificante, ainda mais se estiver num deserto!

Toda vida num deserto é digna de nota, é extraordinária, porém o político é pressionado a buscar os homens, isto é, o aplauso, ou melhor, a aclamação (isso... ã hã... eufemismos para votos!).

É difícil dissimular se o objetivo é a permanência eterna no poder e manutenção do fisiologismo.Neste caso,  a reeleição passa a ser a profissão de fé dos políticos e, como isso é condenável aos olhos pudicos, gasta-se toda a energia disponível na futilidade de disfarçar intenções inconfessáveis.

Tal ciranda esgota qualquer um!

Por isso, é importante perceber e vibrar com o fiapo de vida entre as areias. Algo que nos desperte o sentimento de pertencimento à nossa cidade e à nossa gente.

O eleitor, por sua vez, perde-se em perguntas filosóficas do tipo "quem és tu?" ou manifesta a angústia "estou só" ou implora por aliados "sejam meus amigos".


O político, por outro lado, para ser produtivo, deve se afastar destas pessoas frageisinhas, que correm atrás do próprio rabo.


E não adianta, escalar uma montanha não fará com que as pessoas perceba o político e seus propósitos altruístas e magnânimos.


Muitos falarão bem do político para agradá-lo e muitos falarão mal do político para agradar outros políticos e os mais fisiológicos falarão o que melhor entenderem de acordo com as conveniências.


Quem quiser um retrato fiel de sua própria atuação precisará desenvolver a imaginação.




Hy Ho!