sábado, 14 de abril de 2012

Exatidão e Seriedade ou O Pequeno Príncipe para Políticos VI

"--- Basta isso?"

"--- Sem dúvida."


O político é subordinado aos números.

Enquanto candidato, seus passos são decididos pelas pesquisas de intenção de votos. Quanto maior é o índice maior será a chance de conseguir patrocinadores.

Quanto maior é o investimento maior será a chance de vitória. Já está plasmado isso!

Vitória no 1° turno ou no 2°?

Quem responde?

Ninguém pode responder, mas os números inspiram apostas!

O que você fez ou fará durante o mandato?

Um hospital? Todo feito se revela em números! Ao menos, o que precisa de olhos para ser percebido!

Para as promessas serem sedutoras exigem-se números.

Arrecadamos tanto, investimos tanto e fizemos tantas coisas. Números que dançam de um lado pro outro numa folha de papel timbrada ou que são recitados nos palanques.

"--- Milhões dessas coisinhas que se vêem ás vezes no céu"

"--- Moscas?"

"--- Não, não. Essas coisinhas que brilham."

"--- Vaga-lumes"

"--- Também não"

Os números nos fascinam tanto que pouco importa o que eles ilustram e a disputa ou desempenho se concentra em tabelas e gráficos.

Mais que afasia, a dificuldade de dizer que o que são contadas são as estrelas revela o automatismo das ações e o esvaziamento de conceitos e propósitos numa ciranda em que basta mostrar números para garantir aplausos.

"--- E que fazes com essas estrelas?"

"--- Nada. Eu as possuo."

Bem, todo detentor de cargo eletivo corre o risco de pensar que possui o cargo de contador de estrelas.

Nada é tão poético e fictício do que o orçamento anual de uma Prefeitura, cuja regra básica consiste em não se obrigar a execução dos projetos apresentados nas rubricas, pelo simples fato de a receita não ser precisa e sim estimada.

A única vantagem (e não é pequena) de um orçamento é impedir que o gestor realize o que não foi contemplado pelas rubricas (o que deveria evitar gastos em aventuras).

A partir disto, orçamentos, prestações de contas e pareceres do Tribunal de Contas são aprovados apenas do ponto de vista contábil, sem considerar resultados econômicos e sociais dos recursos aplicados.

"--- Eu ---disse ele ainda --- possuo uma flor que rego todos os dias. Possuo três vulcões que revolvo toda semana. Porque revolvo também o que está extinto. A gente nunca sabe! É útil para os meus vulcões, é útil para a minha flor que eu os possua. Mas tu não és útil às estrelas..."


Ter idéias diferentes sobre coisas sérias é a essência da política e quando as questões são levantadas nenhuma resposta existe até que se reflita sobre elas.

Difícil expor a utilidade das ações porque a utilidade carece de exatidão.

O lixo de um é o luxo de outro!

Nem lixo nem luxo são coisas sérias, e atrapalham o árduo trabalho de contar e recontar o que deve ser escrito num pedaço de papel para legitimar um bom administrador.

O pior e mais perverso é quando a essência de perfil executivo se transfere para o legislativo. Um legislador ser avaliado pela quantidade de leis (mesmo que inócuas) e ofícios (mesmo que sem destinatários) que apresenta.

Pelo assistencialismo a que é impelido para colecionar feitos e confeitos e pretender impressionar eleitores em vez de revolver o que está extinto dentro de vulcões.




Hy Ho!

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