segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pés no chão ou O Pequeno Príncipe para Políticos IX

--- Entre os homens a gente também se sente só.

Bem-vindo ao mundo dos adultos!

Em termos de ideais tudo é um grande deserto. Muito pela dificuldade de comunicação, muito pelo comodismo e muito porque o desconhecido é assustador.

Um rei faz o que todos os outros fizeram, se vangloriando, se decepcionando, se debruçando em estatísticas, impondo regras e atualizando os mapas.

Cada pessoa é um rei, à sua própria maneira, e transitar entre todos os reinos é uma grande burocracia. Deixe- me ver o seu passaporte!

Concentrar as pessoas nas menores ilhas do Pacífico é apenas uma possibilidade matemática; os corpos caberiam, mas não teria espaço para as rosas de cada um.

O jogo político sempre distancia os políticos de suas ideias iniciais e o propósito original acena com seu brilho insistente.

O trabalho do político é uma viagem de retorno e recuperação da Agenda que o elegeu.

--- Teu planeta é belo, que vens fazer aqui?

Esta é a pergunta que transpassa a cabeça de todos. Perder a condição de rei de seu próprio planeta para chegar a um deserto?

Deixar a sua rosa só?

Para andar perguntando coisas que as pessoas não vão responder?

E quando encontra alguém bem disposto só lhe fala em enigmas?

 Sugando-lhe energias, ainda que você tenha compreensão suficiente para decifrá-los?

A Terra é encantadora vista de longe, porém padece pela aridez das pessoas.

Pois bem, ser político é estar a serviço de pessoas áridas.


O que deixa qualquer prestador de serviços com a sensação de ter uma serpente enrolada no tornozelo oferecendo prestimosas colaborações para lhe aplacar a saudade.



Hy Ho!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O efêmero ou O Pequeno Príncipe para Políticos VIII

--- Não sei te dizer.

O político, numa Democracia, comumente, é oprimido pela efemeridade do mandato.

Por dois fatores:

1°.  o tempo flui e as tarefas são muitas;

 2°. a ameaça de não ser reeleito.

A nossa sociedade adotou como padrão apenas registrar os nomes duradouros como as montanhas e valoriza o polítco irremovível, imóvel e duro como uma rocha e descarta o passageiro de apenas um mandato.

A História irá mencioná-lo a lápis e somente depois de provas de resistência merecerá a fixação de seu nome e proezas registrados em caneta; e, quem sabe, até mesmo honrado com um monumento em pedra. É muito bem ilustrado que o candidato à estátua deverá carregar nas próprias costas a pedra que o homenageará. Um preço razoável pela vaidade!

Muitos políticos, de acordo com as suas performances e influência, são comparados a rios, oceanos, mares, cidades e desertos; formando uma verdadeira geografia, que deve ser considerada pelos navegantes. Tudo dependendo das causas e bandeiras assumidas.

Tornam-se, por sua vez, referências sólidas ou obstáculos intransponíveis.Uma recompensa razoável pelo trabalho realizado!

--- Tenho também uma flor.

--- Nós não anotamos as flores - disse o geógrafo.



Ninguém poupará o político desta opressão a não ser ele mesmo.

1°. sendo sincero ao criar a Agenda Política;

2°. sendo desprendido do cargo, realmente fazendo um pacto com a Democracia e auto determinação dos eleitores.

O que resulta em:

1°. menos angústias;

2°. liberdade para contrariar quem quer que seja e

Só quem vive esta liberdade é um explorador de coisas novas;

Só quem vive esta liberdade é capaz de saltar de um asteroide pra outro.

Para que isso seja realizado com plenitude e beleza é inútil pretendermos durar mais que a efemeridade de uma rosa.


Hy Ho!


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Impessoalidade ou O Pequeno Príncipe para Políticos VII

--- É o regulamento.

--- Não compreendo.

--- Não é para compreender.

Que tragédia!

Diz o regulamento que o Poder Público deve ser impessoal e os colaboradores solicitam favores pessoais.

Portanto, a um agente político correto foi consagrada a atribuição de irritar as pessoas e, com isso, perder supostos eleitores e colher o desprezo do rei, do vaidoso, do beberrão e do empresário.

Difícil é explicar e, até mesmo, se auto convencer de que, como políticos, estamos a serviço de todos e não somente dos nossos.

--- Eu executo uma tarefa terrível.

Ouso apontar o engano de quem pensa que conceder privilégios seja mais vantajoso que negá-los. Ambos os casos são fontes de tormentas e, assim sendo, não se afligir diante dos assédios e cumprir o regulamento pode resultar em saldos mais benéficos posteriormente.

Dado ao comodismo da maioria, poucos serão inconvenientes - até para si próprios - em procurar alguma coisa em algum lugar quando convencidos de que já não irão encontrar.

Também é possível notar que educar é um gesto de coragem e renúncia. De não corresponder a muitas expectativas e de tolerar as ameaças de retaliações e revide. De disposição... para acender e apagar repetidamente o lampião!

Daí, a sensação e aparência de tolice.

É exaustivo ser fiel ao regulamento (ô se é !), porém é inútil ou desastroso fugir desta responsabilidade, principalmente, quando se é o único determinado a cumpri-lo.

Quando descansar?

Quando o mudar o regulamento ou a conduta das pessoas?



Hy Ho!

sábado, 14 de abril de 2012

Exatidão e Seriedade ou O Pequeno Príncipe para Políticos VI

"--- Basta isso?"

"--- Sem dúvida."


O político é subordinado aos números.

Enquanto candidato, seus passos são decididos pelas pesquisas de intenção de votos. Quanto maior é o índice maior será a chance de conseguir patrocinadores.

Quanto maior é o investimento maior será a chance de vitória. Já está plasmado isso!

Vitória no 1° turno ou no 2°?

Quem responde?

Ninguém pode responder, mas os números inspiram apostas!

O que você fez ou fará durante o mandato?

Um hospital? Todo feito se revela em números! Ao menos, o que precisa de olhos para ser percebido!

Para as promessas serem sedutoras exigem-se números.

Arrecadamos tanto, investimos tanto e fizemos tantas coisas. Números que dançam de um lado pro outro numa folha de papel timbrada ou que são recitados nos palanques.

"--- Milhões dessas coisinhas que se vêem ás vezes no céu"

"--- Moscas?"

"--- Não, não. Essas coisinhas que brilham."

"--- Vaga-lumes"

"--- Também não"

Os números nos fascinam tanto que pouco importa o que eles ilustram e a disputa ou desempenho se concentra em tabelas e gráficos.

Mais que afasia, a dificuldade de dizer que o que são contadas são as estrelas revela o automatismo das ações e o esvaziamento de conceitos e propósitos numa ciranda em que basta mostrar números para garantir aplausos.

"--- E que fazes com essas estrelas?"

"--- Nada. Eu as possuo."

Bem, todo detentor de cargo eletivo corre o risco de pensar que possui o cargo de contador de estrelas.

Nada é tão poético e fictício do que o orçamento anual de uma Prefeitura, cuja regra básica consiste em não se obrigar a execução dos projetos apresentados nas rubricas, pelo simples fato de a receita não ser precisa e sim estimada.

A única vantagem (e não é pequena) de um orçamento é impedir que o gestor realize o que não foi contemplado pelas rubricas (o que deveria evitar gastos em aventuras).

A partir disto, orçamentos, prestações de contas e pareceres do Tribunal de Contas são aprovados apenas do ponto de vista contábil, sem considerar resultados econômicos e sociais dos recursos aplicados.

"--- Eu ---disse ele ainda --- possuo uma flor que rego todos os dias. Possuo três vulcões que revolvo toda semana. Porque revolvo também o que está extinto. A gente nunca sabe! É útil para os meus vulcões, é útil para a minha flor que eu os possua. Mas tu não és útil às estrelas..."


Ter idéias diferentes sobre coisas sérias é a essência da política e quando as questões são levantadas nenhuma resposta existe até que se reflita sobre elas.

Difícil expor a utilidade das ações porque a utilidade carece de exatidão.

O lixo de um é o luxo de outro!

Nem lixo nem luxo são coisas sérias, e atrapalham o árduo trabalho de contar e recontar o que deve ser escrito num pedaço de papel para legitimar um bom administrador.

O pior e mais perverso é quando a essência de perfil executivo se transfere para o legislativo. Um legislador ser avaliado pela quantidade de leis (mesmo que inócuas) e ofícios (mesmo que sem destinatários) que apresenta.

Pelo assistencialismo a que é impelido para colecionar feitos e confeitos e pretender impressionar eleitores em vez de revolver o que está extinto dentro de vulcões.




Hy Ho!