quarta-feira, 14 de março de 2012

O Pequeno Príncipe para Políticos II

"--- Por favor ... desenha-me um carneiro!

--- O quê?

--- Desenha-me um carneiro"


A vida de um político começa e termina com um pedido!

O político vive imerso num ininterrupto assédio de pedidos, uns bastante banais e outros tão inusitados.

Todo problema é fonte de inúmeros pedidos, mas é extraordinário quando um político se depara com alguém que conhece a solução para os próprios problemas e lhe solicita apenas a ação para resolvê-los.

Com um imperativo hesitante e gentil, tais pessoas falam com uma autoridade pueril sem permitir escusas ou demostrações de impotência.

E pelas palavras do narrador "quando o mistério é impressionante demais, a gente não ousa desobedecer. Por mais absurdo...

" Também, pudera! Todo político está sob pilhas de prioridades inconclusas, no deserto e com o avião quebrado.

Mesmo assoberbado numa Agenda de intermitências, ninguém é insensível ao ponto de não atender pessoas tão resolutas, mesmo que seja com a inteção de dissuadi-las.

--- "eu não sei desenhar"

--- "Não tem importância. Desenha-me um carneiro."

O mais encantador disto tudo é o Pequeno Príncipe apreciar a pouca habilidade do narrador e não ver nisto um fator limitador.

Tirando uma folha de papel e uma caneta do bolso (basicamente as ferramentas necessárias para expor uma ideia), o narrador se põe a desenhar contrangido e inseguro.

Vários desenhos foram rejeitados com os comentários de parecer um carneiro doente, de parecer mais um bode ou de ser um carneiro muito velho e o desfecho vem com a especificação do pedido: "--- Quero um carneiro que viva muito tempo."

Aqui eu penso no maravilhoso senso de humor do autor porque a resposta para tal especificidade foi um desenho totalmente impreciso: uma caixa com furos em que o carneiro desejado só estaria representado na imaginação do intransigente menino que aceitou o jogo ainda apontando problemas derivados da angustiada solução.

A dinâmica política, por depender de um infinito de variáveis, não permite um planejamento exato e muitos menos a ação adequada ou considerações definitivas. Um elemento novo trepida o tabuleiro, turva a vidraça ou faz novas demandas serem percebidas.

Claro, diante destes fatores, as soluções serão precipitadas ou precárias, mas ansiamos por soluções dotadas de longevidade e talvez a solução não esteja nas formas já desenhadas e sim na maneira como olhamos para o problema.

Essa é a contribuição mais valiosa de um político: incluir ou excluir elementos para dimensionar o problema e quanto mais arguto for o político melhorres serão os resultados alcançados.

Melhor é a comunicação, mais envolvido e colaborador será a própria pessoa que pediu as ferramentas para a solução.




Hy Ho!

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