segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

DOIS MIL E DOSE

1° de janeiro de 2012, minha mãe, aos 75 anos de idade, se foi como um passarinho que viu a porta da gaiola semiaberta num suspiro fundo aos braços da minha irmã Faustina, única mulher viva da prole de 8 rebentos.

Mais que musa foi uma poetisa, que escolheu o dia mundial da Paz para nos deixar, deixando um recado para todos.

Filha de imigrantes italianos da lavoura de café da região de Mogi Guaçu, foi adotada por um soldado da Revolução Constitucionalista casado com uma doceira - Onofre e Pequetita.

Viajou desde pequena com os novos pais para São Paulo, Caçapava e por fim Jacareí, onde passou a adolescência trabalhando na Fábrica de Tapetes Santa Helena.

Aqui conheceu meu pai, que esteve em Fernando de Noronha, lugar em que prestou o serviço militar durante os anos da Segunda Guerra Mundial.

Depois de tentar a sorte em Recife e no Rio de Janeiro como garçom e seus devaneios boêmios voltou ao seu rincão natal.

Ele era um sapateador e ela uma moça decepcionada com o 1° casamento e um bebê nos braços.

Os dois juntos fixaram residências na Santa Cruz dos Lázaros, Jardim Didinha e definitivamente no Jardim Jacinto.

Lá, os meninos brincaram de jangada de bananeiras durante as enchentes do bairro e lhe adicionaram as rugas de preocupações com as suas travessuras.

Complementou a renda doméstica costurando e fazendo tricô!

Eu ficava aos seus pés e fascinado com o pedal e a roda da máquina de costura.

Em fevereiro de 1981 meu pai faleceu com câncer na região do abdômen. Foi-se o tenente reformado, que lhe fez um sinal de joinha sobre a maca no corredor do hospital quando eu, caçula temporão, tinha 6 anos de idade.

Ela pôde ver crescerem 9 netos, uma bisneta e o filho retardatário!

Não foi embora sem antes ver os fogos do Reveillon deste ano!

Sem antes rir desbragadamente com os pequerruchos do nosso vizinho Jairinho, um de seus vários filhos de coração do início do bairro.

Escolheu o dia mais belo do ano e os anjos a levaram como uma criança no parque, encantada e nos acenando montada no carrossel.

Agradeço a Deus, nosso Criador, por ter me confiado aos cuidados desta LUZ DIVINA!

4 comentários:

Eber Blog disse...

Que ela tenha toda a paciência do mundo para aguentar nossas orações direcionadas a ela. E a você, nobre companheiro de fervorosas discussões, meus mais sinceros sentimentos. Que a doce lembrança de sua genitora sempre o acompanhe, com muita tranquilidade e paz.

JOICE disse...

Dario,
Pelos lindos momentos criança que você viveu ao lado da minha Mari e pelos deliciosos e despretenciosos almoços na humilde casa da minha mãe, eu, Mari, minha mãe, Vó antonia e Valdemar fizemos uma prece pedindo a DEUS por força à sua família, e por sua mãe, para que DEUS a tenha recebido com um largo e aberto sorriso de aconchego.Forte, terno e demorado abraço de alento a você, desses amigos com quem pode contar mesmo diante da distância que os momentos nos forçam.
Joice, Mari, Valdemar, Neusinha e Vó Antonia.

BURRO disse...

Agradeço o carinho de todos!

Anônimo disse...

Dario,
Sinto muito pela sua mae...
Muitas vezes ouvi vc falar sobre ela da maneira como todas as maes do mundo gostariam de ouvir seus filhos!
Com certeza se orgulhava de vc!
Eu tambem me orgulho!
Amanha faz um mes que ela partiu...
Meus sinceros pesamis.
Simone