quinta-feira, 21 de julho de 2011

Legislatura e Alta Costura

Qual é a tendência do outono-inverno?

A cores cítricas predominarão novamente na primvera-verão?

A criatividade é sempre assim: entre as pressões da indústria e do apelo popular.

Cada geração imprime a sua marca e a Legislatura risca, corta e cose o tecido social.

A composição pode ser esteticamente harmoniosa ou não com a soma de cores, texturas e acessórios, mas a contingência de se usar o vestuário exige soluções imediatistas e os aspectos que ultrapassam a função do agasalho e do pudor torna-se privilégio de poucos.

Em Jacareí, interior de São Paulo-Brasil, a Câmara Municipal é composta por 13 parlamentares que representam 6 Partidos Políticos diferentes, sendo: 4 vereadores do PT (Partidos dos Trabalhadores), 3 do DEM (Democratas), 2 do PPS (Partido Popular Socialista), 2 do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), 1 do PR (Partido da República) e 1 do PDT (Partido Democrático Trabalhista) que se dividem em 7 vereadores na sustentação ao Prefeito e 6 na oposição.

Quando há maioria na sustentação vemos que, na prática, a Câmara Municipal funciona apenas como um cartório que chancela as decisões do Executivo e a oposição precisa ser perseverante no desenvolvimento de uma alternativa de Poder.

Se os satisfeitos estão acomodados dentro da PANELA cabe à oposição, trincheira dos insatisfeitos, manter o FOGO aceso e nesta fornalha dar ao calor funções produtivas de formação política e esclarecimento.

Conscientes da importância do Poder Legislativo é extremamente importante evitarmos cair na vala comum do conflito simplista da turminha da rua de cima contra a turminha da rua de baixo. Para isso, precisamos de maestria ao oferecer as cores e os tons adequados para atendermos as motivações utilitárias, estéticas e éticas.



A semelhança entre Legislatura e Alta Costura é inspirada no fato de que o valor destas duas coisas resulta da intimidade e por isso são desprezadas ou desdenhadas pela maioria das pessoas. Atarefadas com o redemoinho do cotidiano, elas consideram fúteis ou até mesmo inúteis tais instituições, porém não imaginam o impacto direto ou indireto das decisões de cúpula ou quando imaginam fantasiam sobre dados também fictícios; exatamente pela falta de intimidade.

Juízos de valores à parte, é bom entendermos que no processo do atelier às passarelas passamos pela Personalidade do Autor, da Caixa de Ferramentas que é a equipe, da Oficina que é a bancada e da Grand Maison que são as Comissões Temáticas.







Personalidade




Embora o candidato seja portador de um número que digitamos na Urna Eletrônica no momento da eleição não é apenas um número que queremos que ajude a decidir o destino de nossa cidade.



Ninguém é eleito só para fazer número e dentre tantos notáveis há um de nossa preferência porque possui atitude, esclarecimento e outras qualidades com as quais nos identificamos.



Talvez não seja exato dizer que os parlamentares eleitos sejam o retrato fiel da população, mas é impossível negar que eles sejam a síntese da nossa mentalidade.



A Personalidade é essencial em uma representação e o fator de maior importância na solidão das decisões. Provém daí a relação de confiança e de procuração, de decisões delegadas.



O indivíduo é o território da dimensão ética e nada mais apropriado para expressar tal ideia do que a frase de Ghandi quando diz que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo.



Decepcionados na maioria das vezes, ainda esperamos dar a procuração para representantes mais esclarecidos que nós, mais corajosos, mais sensatos e de boa vontade.



O erro pode partir disto: o de idealizarmos demais e de esperarmos alguém melhor do que nós. Com tamanha auto desvalorização dificilmente saberemos o que seja melhor.



Por queremos demais alguém que nos inspire e seja de modelo dixamos de contribuir e nos acomodamos como clientes mal atendidos.



Seria muito saudável ao atribuirmos o posto de Autor para alguém que nãos abríssemos mão de sermos Co-autores.







Gabinete



É a equipe de cada parlamentar e quem filtra seus contatos e organiza a sua Agenda, isto é a grande Caixa de Ferramentas com talentos distintos com agulhas, linhas, moldes, crayon embora o assessor mais conhecido seja o que faz as vezes de tesoura.



É a equipe de gabinete que dá forma ao trabalho do parlamentar e quando bem selecionada ajuda a promover influência e inspirar a Sociedade com a presteza dos gestos, acuidade das falas e brilho das ideias.







Bancada



Um Partido organizado raramente elege apenas um parlamentar e quando temos dois vereadores do mesmo Partido temos uma bancada.



Sendo a soma de duas ou mais Personalidades o resultado será, como diz Aristóteles, maior do que a soma das partes. muitas vezes combinando alguém de segunda ou terceira Legislatura com alguém recém-chegado.



A boa mistura da serenidade dos mais experientes e a intrepidez da renovação eleva ânimos e movimenta os diálogos e discussões deixando ao mais antigo emocionante terefa de apagar os incêndios provocados pelos inexperientes.



A coesão do bloco resulta da solidariedade em defender ameaças e agressões comuns e, querendo ou não, o fruto do trabalho é coletivo mesmo que um faça mais do que o outro ou mesmo com entendimentos diversos.



Se há harmonia? Onde impera a vaidade a harmonia é uma dádiva caprichosa, mas acontece!



Porque a necessidade é a mãe da humildade!







Comissões Temáticas



O que dizer de uma tema como a Saúde?



Farto em legislação municipal, estadual e federal, além da complexidade técnica?



De algo tão abstrato como a Educação e de consequências extraordinariamente concretas e que consome 25% da receita própria do município por força de dispositivo constitucional.



Questões de ordenamento jurídico e constitucional.



O próprio Orçamento Municipal e o chassis da cidade: o Urbanismo.



Assuntos gigantes para uma só pessoa e por isso desastroso não compartilhar imensa tarefa com outras vozes. Apesar da incansável tentativa de concentração de Poder por alguns. E na ausência de Personalidades de muitos ficam os temas essenciais na mão de poucos e o pior porque pela grandeza dos assuntos sobrecarregar os afoitos - via de regra - ficam sem apreciações.



Daí vale a máxima do não fazer e não deixar ninguém fazer.



Vários projetos de lei precisam ser apreciados por mais de uma Comissão Temática e infelizmente acabam tendo somente a burocracia cumprida com pareceres pró-formas, porém sem contribuição ou cuidado dos parlamentares (para registrar um fenômeno local).



Uma pena porque é no momento em que o projeto passa pelas Comissões é que teríamos a contribuição serena e apurada das diversas vozes. Em suma o próprio fazer do Legislador e a sua razão de existir.



Os vereadores desprezam as Comissões por se acreditar, de modo equivocado, que seja o Plenário, a simples manisfestação do favorável ou contrário, o todo de suas responsabilidades quanto às leis juntamente com a apresentação de proposituras de datas comemorativas ou denominações de próprios públicos.



O desprezo pelas Comissões reflete o desprezo pela própria Democracia. Porque tal desprezo revela a exarcebação da existência de uma maioria.







Hy Ho!






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