segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mais oposição, menos impostos.

por Rodrigo Maia


20/04/2009
Fonte: Diário de Petrópolis

Governo, todo mundo sabe o que ele faz, pois Lula gasta fortunas com propaganda. Já o que faz a Oposição, sabe-se muito pouco. Para muitos é como jogador no banco de reserva: fica ali sentado, esperando as próximas eleições para voltar ao poder. No máximo critica, reclama, acusa, denuncia, mas não participa. Aí é que está o engano.
O que penso sobre o papel da oposição – e sou oposicionista tanto no plano federal, como Presidente Nacional do DEM, como no Estado do Rio de Janeiro, como todos sabem – é um pouco diferente. Para mim, a Oposição pode ser construtiva. É verdade que estamos no ataque, sempre. Ora denunciando, ora criticando, sempre reclamando o que os governantes eleitos prometeram e não estão cumprindo, sinal que enganaram os eleitores. Mas, vamos além. Procuramos agir, seja apresentando projetos, seja impedindo que se cometam erros. Abrindo caminhos que o Governo não enxergava.
O melhor exemplo desse jeito de fazer Oposição estamos vendo neste momento, quando o Governo Lula passou a adotar idéias que antes renegava e que sempre preconizamos. Para enfrentar a crise financeira que abala do País o Governo está fazendo o que Oposição propõe..
Eis uma história que precisa ser bem contada.
Em 2007 – precisamente na madrugada do dia 13 de dezembro – a Oposição acabou com a cobrança do CPMF, o desastrado e injusto imposto sobre o cheque, que cobrava 0,38% dos ricos (que podiam pagar, folgadamente) e dos pobres, que não podiam.. Foi uma votação dramática em que Lula se empenhou pessoalmente. Chegou a visitar de helicóptero o governador Arruda, DEM de Brasília, para um apelo final. Mas a decisão da Oposição era inabalável e patriótica, não era contra ninguém, era a favor do desenvolvimento.
O CPMF agricultores, comerciantes – gente que produzia e criava empregos. Um imposto que ficava bem para os especuladores financeiros, nunca para produtores.
Errotado, Lula reclamou, disse que a Oposição estava impedindo o governo de gastar com a saúde, no combate à pobreza, para cobrir o deficit da previdência social. Seria uma desgraça. Tanto que imediatamente, tentou aprovar um novo imposto, Contribuição Social para a Saúde, para substituí-lo.
No entanto, o que se viu foi o contrário. Com o fim do CPMF, a arrecadação aumentou em vez de cair, provando-se que a choradeira do Governo não fazia sentido. A Oposição estava certa.
E não se falou mais do assunto até que veio a crise econômica, que Lula tentou gozar, chamando de "marolinha", mas que terminou causando a maior onda de desemprego já vista no País, com as empresas em dificuldade. Que fez então o Governo? Começou a cortar impostos (já cortou o IPI que incide sobre automóveis, motos, cimento e outros produtos) e, diante dos resultados positivos da medida, anuncia que vai continuar desonerando produtos para estimular a economia e acabar com o desemprego.
Ou seja, a Oposição – que está fora do governo – conseguiu fazer prevalecer uma das suas propostas mais firmes para o desenvolvimento, seja na crise seja em tempos de bonança, e que se constitui na redução de impostos. Não se trata de acabar com os impostos, mas de reduzi-los a um nível suportável, pelo menos igual ou próximo aos impostos cobrados pela nações mis adiantadas, já que a carga tributária brasileira, de mais de 40%, é um das maiores do mundo.
Eis o que se pode considerar um tipo de Oposição construtiva. Além do mais, o Governo gasta mal, tem excesso de burocracia, não controla a corrupção. Portanto, não merece autorização para cobrar tanto imposto.

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