quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Erradicar a pobreza

A Constituição Brasileira de 1988 nos convoca para sermos cidadãos e determina no art. 3° para que se erradique a pobreza.

Entendo que mais do que uma simples redistribuição da riqueza; priorizando os que , num lance de olhos, nos pareçam necessitados, erradicar a pobreza exige todo um compromisso com as condições de prosperidade. Antes de alguma precipitação, lembramos que a prosperidade não se resume a uma maior capacidade de consumo, ao que uma publicidade exaustiva tenta nos impelir.

Todos devem almejar um conforto mínimo e dignidade como também podem desejar o máximo de tudo, desde que a sua avidez não tire as oportunidades de outros. Sem pregar o ascetismo e ou o rancor às pessoas bem sucedidas por mérito, esforço, herança ou talento. O movimento literário árcade difundiu poeticamente a vida simples, sem condicionar a felicidade com as futilidades da sociedade. Difícil negar que o liberalismo seja a forma mais justa de distribuição de recursos. O que temos de evitar é o cerceamento de novos talentos e a sabotagem instituídas pelos mono e oligopólios. Deixemos o socialismo ingênuo de que a divisão igualitária de recursos trará resultados iguais para todos. Se dividirmos a terra em vários lotes iguais, comprovadamente pela experiência, veremos pessoas mais prósperas que outras por motivos diversos: mais disposição, presença de espírito, mais diligência e mais um quê de cada um.

Todo este preâmbulo pretende algo muito simples: mostrar que há dois tipos de bens, o privado e o público, e de que os dois precisam ser garantidos. O privado depende do indivíduo e o público da união das pessoas.

Pois bem, os recursos recolhidos pela Adminstração Municipal são, em tese, destinados para o melhor atendimento aos cidadãos. O Prefeito transforma estes recursos em serviços e patrimônios. Se bem geridos teremos serviços de qualidade e excelência simultaneamente com patrimônios durarouros. Elencar prioridades realmente necessárias é diminuir custos. Contratar pessoas eficientes é diminuir custos. Satisfazer as necessidades, e não os caprichos, da população é diminuir custos. Isto é, cuidados ao comprar e manter o que for adquirido é diminuir custos.

Uma praça que não é usufruída pelas pessoas é uma praça cara. Se ela não é usada por falta de estímulos é mais cara ainda, porque sem o uso ela se deteriora. O espaço público, se não é preenchido por ações do poder público, pode e deve ser preenchido por quem quiser fazê-lo. O problema resulta do péssimo hábito, entre várias pecuinhas, de não fazer e não deixar ninguém fazer para que demais pessoas não sejam promovidas ou exponham os que ficam de braços cruzados esperando o tempo passar. Este foi somente um exemplo, mas ainda não é disto que pretendo falar.

No Jardim Jacinto, onde moro desde nasci, as ruas sofrem com a sobrecarga de veículos. Em um solo instável como o do bairro, antigo brejo, o excesso de trânsito provoca o deslocamento dos paralelepípedos, a ruptura das tubulações de água e esgoto, ou seja, danos ao bem público com o desperdício criminoso de água tratada. Porque cada vez que é feito um reparo, a terra não se compacta como antes e, sujeita ao trânsito contínuo, as ruas e as tubulações precisarão de cada vez mais reparos, o que significa mais custos para o município. Os recursos usados para a manutenção de um mal que poderia ser evitado privam outros lugares de serem atendidos. O problema do Jardim Jacinto, devido ao mau gerenciamento, passa ser um problema de todos.

Fora tal transtorno não podemos deixar de citar as casas dos moradores depreciadas com muitas rachaduras: propriedades privadas ameaçadas pela ausência do poder público. Não podemos permitir que os esforços das pessoas sejam jogados no lixo por causa de gestores irresponsáveis.

Erradicar a pobreza compreende que a riqueza conquistada, grande ou pequena, não seja jogada fora. Cuidar do dinheiro público é o melhor começo.


Hy Ho!

Nenhum comentário: