terça-feira, 9 de outubro de 2007

TODA INCLUSÃO PRESSUPÕE UMA EXCLUSÃO

INCLUIR QUEM ?
ONDE ?
COMO ?
POR QUÊ ?
Incluir as pessoas é um gesto arrogante e preconceituoso.
Entendo que quando a Sociedade é vista como um todo cada um a seu modo já está nela.
A arrogância é que este entusiasmo pela inclusão parte de uma suposta generosidade de uma classe dominante. Não quero dizer que uma calsse dominante seja incapaz de generosidade, é melhor esclarecer antes que os afoitos me condenem ou me aplaudam.
Uma classe dominante concentrou renda e a única maneira de ela prestigiar outra, preconceituosamente tida como inferior, é consumindo os produtos desta última classe.
Quando os filhos de um magnata pratica Capoeira é muito mais digno do que quando um magnata patrocina oficinas de Capoeira para professores pobres para jovens pobres.
Os pobres não precisam de patrocínio para aprender Capoeira, ela nasceu na Senzala.
Quando se faz isso, ainda com a aparência de se fazer o BEM, estamos apenas criando uma assimetria entre líderes e liderados. Muito útil para uma classe dominante dotada de má fé. Aliás, uma observação, entender que o vitorioso é sempre opressor é sintoma de inveja e não consciência da própria condição de oprimido. O talento e a habilidade permite que um grupo ou pessoa prevaleça sobre ops demais.
O valor de alguma coisa não é atribuída por uma maioria e sim por quem pode consumir.
Na grande Bahia, maior concentração de etnias negras do nosso país, só as brancas gostosas sabem cantar? Ou dançar? Cantar ou dançar AXÉ ? Uma expressão de origem africana ?
Observo uma grande incoerência.
Ou uma determinação estética que cabe perguntar: ditada por quem?
Por quem pode comprar ? Será?
Sem tirar o mérito das estrelas que fazem muito bem o seu papel, talento é talento- independe da origem, mas eu quero entender se não existe alguma restrição, porque isso me intriga muito, visto que a quantidade precede a qualidade, naturalmente, a chance de ter grandes artistas de pele escura na Bahia é muito maior do que em outro lugar do Brasil.
O preconceito será de quem compra ou de quem oferece?
Fica a pergunta no ar.
Acredito que uma expressão nacional legítima manifesta-se nos poros de todos os seus habitantes.
Neste ponto a Indústria Cultural do Rio de Janeiro é muito mais decente.
Temos as nossas Divas do Samba, as Passistas Mulatas e Toda a Velha Guarda e também o caucasiano Noel Rosa...
Quero reafirmar que a única maneira de uma classe dominante efetivamente participar de outra é consumindo, isto criará um distribuição de riqueza, se a classe "inferior " não tiver algo atrativo ficará com as migalhas e com a fatídica dissolução de seu modo de ser, a menos que ela prescinda do desejo de ser incluída.
Porque só o desejo de ser incluído numa Elite , dita opressora, tida como paradigma, já justifica a própria extinção.
Quem tem o Opressor como modelo pretende, também, salvo falso juízo, oprimir.
Calma ! Conforto e higiene são coisas extremamente necessárias, porém ainda muito caras.
A única miséria que existe é a do Espírito!
É por demais humilhante ser aceito em tais condições: "Você pode ficar no cantinho se continuar quietinho". Isto para mim não é inclusão e inclusão, entendida desta maneira, é um termo que até me causa náusea por tantas ações equivocadas e oportunistas abrigadas por ele.
Incluir é ter condições semelhantes de consumo?
Concordo! Se for possível!
Consumir produtos fabricados por quem?
Todos serão parte da Sociedade se a todos for permitido produzir porque só com o direito de produzir teremos as mesmas chances de sermos julgados pelo mercado.
Antes de qualquer outra conversa é preciso refletir se tais oportunidades de inclusão não passam de expedientes sofisticados de colonização.
Haverá uma Sociedade que respeite o desejo de não ser incluso nela ?
Enganam-se os que acreditam que para se praticar a Bondade exigida não seja a Eficiência.
Citei como exemplo a negritude, mas a crítica se aplica a todos os segmentos que propõem tal inclusão.
Aliás, não há nada de tanto mal gosto quanto essa nova mania de antes de qualquer pronunciamento fazer-se a saudação " Bom dia a todos e a todas!".
Hy Ho !